quinta-feira, 1 de julho de 2010

Federación Nacional Autónoma de Fútbol de Honduras

Quando sua seleção nacional de futebol estreou nos gramados, Honduras já tinha se tornado um país independente há muito tempo. A nação teve seu território descoberto numa das viagens de Cristóvão Colombo, em 1502, já após o descobrimento da América. E recebeu a independência da metrópole espanhola em 15 de setembro de 1821.

Exatamente 364 dias antes da estreia da equipe nacional, contra a Guatemala, na semifinal de um torneio organizado em comemoração ao centenário da independência das nações da América Central. O único motivo para lamentações veio justamente com o resultado: uma goleada guatemalteca por 10 a 1. Até hoje, 88 anos depois, a maior goleada já sofrida por Honduras.
Ainda no duro processo de construção de uma identidade nacional, a seleção só voltaria a jogar em 1930, na disputa do torneio de futebol dos Jogos Esportivos do Caribe e da América Central, disputados em Cuba. A primeira vitória veio na estreia: 5 a 1 contra a Jamaica, na primeira fase da competição. Porém, duas derrotas sofridas para os cubanos - e uma para a Costa Rica - apagaram as chances de título. Mesmo assim, golear El Salvador, por 4 a 1, rendeu um honroso bronze nos Jogos Esportivos.
E a equipe foi se desenvolvendo muito lentamente. A ponto de só voltar a se reunir para a disputa da segunda edição dos Jogos, em El Salvador. Por sinal, a participação foi menos elogiosa do que em 1930: apenas uma vitória, um empate, e três derrotas (incluindo aí, um 8 a 2 para o México). Jogos depois, só em 1946, na disputa de outro torneio continental. Derrotas para Costa Rica, El Salvador e Panamá evitaram classificação, mas veio também um 10 a 0 aplicado sobre a Nicarágua. A maior goleada da seleção hondurenha, até hoje.
Em 1950 é que as coisas começaram a se acelerar. "La H" voltou a jogar nesse ano, em nova participação nos Jogos Esportivos do Caribe e da América Central. E, novamente, o time não fez feio, ficando com o bronze, como em 1930. E a equipe seguiu a década neste ritmo, jogando mais contra os países do mesmo continente.
Enfim, em 1960, Honduras começou a se apresentar de modo mais concreto ao mundo do futebol. A equipe participou de Eliminatórias para uma Copa do Mundo pela primeira vez, ficando num grupo com Costa Rica e Guatemala, de onde sairia um integrante para o triangular final, que definiria quem estaria no Mundial de 1962.
Uma vitória por 2 a 1 na estreia, contra a Costa Rica, colocou a equipe no bom caminho. Logo conturbado pela revanche dos Ticos, que fizeram 5 a 0 em San Jose. Depois, haveria mais dois jogos contra a Guatemala. Só ficou no primeiro, um empate por um gol.
Porque a Guatemala desistiu de participar das Eliminatórias, e Honduras recebeu a vitória por 2 a 0. Restou ao time enfrentar novamente os costarriquenhos, num jogo-desempate. Por ironia, sediado na Cidade da Guatemala. E aí, o sonho de estar numa Copa do Mundo acabou, com a vitória dos oponentes por 1 a 0, em 14 de janeiro de 1961.
Voltava, então, a rotina de participar de jogos e torneios continentais para a seleção. Que renovou a esperança de estar numa Copa, com as Eliminatórias para 1966. Aí, a sorte se encarregou de ser malvada com os alviazuis, que caíram num grupo com México e Estados Unidos. Foram eliminados na primeira fase, em último lugar, no grupo 1. O sonho estava adiado por mais quatro anos.
Aí, 1968 chegou. E, com ele, a qualificação para a Copa de 1970 seria tentada. E Honduras finalmente passou da primeira fase, ao superar Jamaica e Costa Rica, com três vitórias e um empate. Haveria, então, uma fase semifinal, que os Catrachos teriam de vencer, se quisessem continuar com o sonho de ir ao México. O destino os pôs frente a frente com El Salvador.
Na época, os dois países viviam uma grande turbulência na relação diplomática. Com território cerca de cinco vezes menor do que o hondurenho, El Salvador tinha uma população que era maior do que o dobro do número de habitantes do vizinho. Então, os salvadorenhos começaram a migrar para Honduras. Insuflados pelo general Oswaldo Lopez Arellano, ditador que comandava o país, os hondurenhos adotaram um sentimento francamente anti-salvadorenho.
A coisa piorou quando Lopez Arellano decretou um projeto de reforma agrária, que proibia estrangeiros de terem terras em Honduras. Os nativos de El Salvador foram, então, forçados a voltar para o país natal, que rompeu relações com Honduras. Em meio a toda essa belicosidade, as seleções dos dois países tiveram de jogar a semifinal das Eliminatórias. Como que aumentando o drama, Honduras venceu o jogo de ida (1 a 0, em Tegucigalpa), e El Salvador, o da volta (3 a 0, em San Salvador). Um terceiro jogo seria necessário, em campo neutro.
Nas Eliminatórias, tudo terminou mais rápido: em 26 de junho, na Cidade do México, o sonho hondurenho parou na vitória de El Salvador, por 3 a 2, na prorrogação. Porém, em 14 de julho, a tensão social chegou a um ponto culminante, quando o exército salvadorenho bombardeou Honduras. Estava iniciada a Guerra das 100 Horas, que só durou quatro dias. Porém, com as lembranças e as relações com as "batalhas" futebolísticas, o confronto também ficou conhecido como a Guerra do Futebol.

A rotina hondurenha, de partidas contra os companheiros centroamericanos e frustrações nas Eliminatórias para a Copa, prosseguia. Até 1981, quando houve o campeonato continental da Concacaf, precursor da Copa Ouro. Comandada então por Jose de la Paz Herrera, a equipe confiava em atletas que haviam participado do Mundial Sub-20 de 1977, na Tunísia, junto de jogadores do Real España, clube que Herrera comandava.
Dessa mescla surgiu um bom time, com dois goleiros confiáveis, Julio Cesar Arzu e Jimmy Steward. Um meio-campo de talento, com Ramón Maradiaga e Gilberto Yearwood. E, finalmente, o ataque, com José Roberto Figueroa. Foi essa a base que participaria do campeonato da Concacaf, cujos dois primeiros colocados iriam à Copa de 1982. Numa longa fase de classificação, Honduras e El Salvador superaram Guatemala, Costa Rica e Panamá, para chegar à fase final do torneio.
Com a fase final disputada exatamente em Tegucigalpa, em novembro de 1981, a equipe de Herrera conseguiu três vitórias nos três primeiros jogos (4 a 0 no Haiti, 2 a 0 em Cuba e 2 a 1 no Canadá). Mais dois empates sem gols, contra El Salvador e México - este, com brilhante atuação do goleiro Steward -, e Honduras conseguira. Era vencedora do torneio da Concacaf, e iria ao seu primeiro Mundial, em 1982.
Na Copa da Espanha, a equipe de Herrera teve performance absolutamente honrosa. Caindo justamente no grupo da anfitriã, que ainda tinha Iugoslávia e Irlanda do Norte, os Catrachos estrearam justamente contra os espanhóis. E quase protagonizaram uma grande zebra: Hector Zelaya abriu o placar, aos oito minutos do primeiro tempo. Somente na etapa final a Furia igualou, com Roberto Lopez Ufarte.
Contra os norte-irlandeses, o sonho de se classificar para a segunda fase da Copa continuou. Gerry Armstrong até abriu o placar para os comandados de Billy Bingham, em Zaragoza, mas Anthony Laing empatou em 1 a 1. Caso os hondurenhos vencessem a Iugoslávia, poderiam fazer parte de um dos quatro grupos de três que definiriam os semifinalistas, caso a Espanha perdesse para a Irlanda do Norte.
Os britânicos fizeram seu papel, vencendo por 1 a 0, em Valencia. Porém, o sonho hondurenho foi frustrado com crueldade: aos 42 minutos do segundo tempo, Gilberto Yearwood cometeu pênalti e foi expulso. Ato contínuo, Vladimir Petrovic fez a cobrança e deu a vitória aos iugoslavos. E alguns jogadores deixaram o gramado do estádio La Romareda chorando.

Depois de ter, na Copa do Mundo, as três primeiras partidas contra equipes que não eram das Américas Central e do Norte, Honduras voltou a se recolher para o cenário que já conhecia. Entretanto, a experiência ganha em 1982 foi útil, algumas vezes: a equipe venceu por duas vezes a Copa das Nações da América Central, mais duas vezes os Jogos Centroamericanos, sem contar o vice-campeonato na primeira edição da Copa Ouro, em 1991. Fora isso, um ou outro amistoso contra uma nação da América do Sul. E frustrações nas Eliminatórias.
Porém, poucas coisas foram tão inacreditáveis quanto aquela Copa América, de 2001. A equipe nem pensava em ser convidada pela Conmebol para o torneio continental, na Colômbia. Mas a recusa da Argentina em participar, pela situação tensa de segurança vivida na época, fez com que os Catrachos entrassem pela porta dos fundos. Ramón Maradiaga, remanescente de 1982, treinava uma equipe que contava com gente como Guevara, León - e um novato Suazo.
A estreia no grupo 4 não foi das melhores, com derrota por 1 a 0 para a Costa Rica. Porém, um 2 a 0 contra a Bolívia e um 1 a 0 contra o Uruguai colocaram a equipe nas quartas de final. Justamente contra o Brasil. Porém, a equipe de Luiz Felipe Scolari enfrentou problemas em Manizales, numa noite em que nada deu certo, e Honduras conseguiu aquele que talvez é o maior feito de sua história futebolística, ao fazer 2 a 0 e ir às semifinais.
Aí, a Colômbia pôs fim à surpresa relativa, fazendo 2 a 0. Porém, na decisão do terceiro lugar, que recolocou o Uruguai na frente dos hondurenhos, um empate em 2 a 2 levou a decisão para os chutes da marca do pênalti. E Honduras conseguiu uma relativa consagração, fazendo 5 a 4 e levando o terceiro lugar para casa.
A surpresa rendeu frutos, como o primeiro amistoso contra uma nação europeia, a Eslovênia, em 2002 (com direito a goleada hondurenha, por 5 a 1). Porém, achava-se que os hondurenhos jamais surpreenderiam tanto. Quietamente, à geração de Guevara e León, somaram-se Figueroa, Palacios, Hendry Thomas. Veio o terceiro lugar na última Copa Ouro. E o retorno de velhos conhecidos a um Mundial.

Site
http://fenafuth.hn/web/

Fonte
http://trivela.uol.com.br/Conteudo.aspx?secao=54&id=21256