segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fudbalski savez Srbije

O exemplo mais famoso de nação formada por várias repúblicas é o da União Soviética, óbvio. Mas não se pode dizer que a antiga Iugoslávia não seja bastante conhecida, também. A união de vários povos dos Bálcãs passou por várias turbulências em sua história, desde 1918, data da fundação do antigo Reino da Iugoslávia, até 1992, quando dissolveu-se.
E, de certo modo, passa por turbulências até agora, com as várias repúblicas que dela saíram. Como a Sérvia. Ela foi a herdeira da história respeitável do futebol iugoslavo, que inclui boas participações na Copa do Mundo e na Eurocopa - além de uma medalha de ouro, no futebol masculino. Porém, só agora, como república totalmente isolada, sem estar aliada a outros territórios, ela chega à Copa de 2010. Mas como foi o caminho?
Já começou com problemas
Como não dá para falar da história do futebol sérvio sem falar da história do futebol iugoslavo, é melhor começar em priscas eras. Particularmente, em 1919, quando foi fundada, em Zagreb (na hoje Croácia), a federação de futebol do então Reino da Iugoslávia - que, por sua vez, havia surgido no ano anterior, da união do Reino da Sérvia com o Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios.
A seleção nacional ainda demorou mais um tempo para estrear, atuando pela primeira vez em 28 de agosto de 1920. E não seria um começo bom: a equipe foi goleada por 7 a 0 pela Tchecoslováquia, no torneio olímpico de futebol, nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica. Mais um caso em que o primeiro jogo da história de uma seleção resulta na maior derrota dela. E, no caso iugoslavo, o 7 a 0 seria repetido mais duas vezes na mesma época: em 1924, com a derrota para o Uruguai, na estreia no torneio olímpico, nos Jogos de Paris, e em 1925, em nova goleada tchecoslovaca.
Pior: os problemas também começaram a aparecer fora de campo. Em 1929, o Reino da Iugoslávia passou a chamar-se somente Iugoslávia, e a federação saiu de Zagreb para ter sua sede em Belgrado, na Sérvia. Descontentes com a mudança, os jogadores croatas boicotaram a ida para a Copa de 1930. Mas, sendo uma das quatro nações europeias a ter encarado a difícil viagem para o Uruguai, o time treinado por Bosko Simonovic fez ótimo papel. Venceu Brasil e Bolívia no seu grupo, e, mesmo eliminado pelo futuro campeão nas semifinais, ficou na terceira posição no Mundial.
Estava iniciada uma pequena evolução. Rapidamente soterrada pelos acontecimentos sociais - leia-se conflitos que levariam à Segunda Guerra Mundial. A equipe sequer participou dos Mundiais de 1934 e 1938, e, assim que o conflito começou, o país teve sua federação de futebol dissolvida. Para complicar, em 1941, o exército nazista invadiu o país, dividindo seu território em quatro províncias, comandadas por um governo externo.
O desenvolvimento
Mas, em 1944, um movimento de liberação do país, comandado pelos chamados "partisans", tendo à frente o marechal Josip Broz Tito, consumou o trabalho lento de retomada do território. Com a coalizão feita junto ao primeiro-ministro do governo apoiado pelos invasores, Ivan Subasic, mais a ajuda do Exército Vermelho soviético, os iugoslavos livraram-se do domínio nazista, em 20 de março de 1945. E, no fim de abril, estava formada a República Federal da Iugoslávia, com seis repúblicas compondo-a: Bósnia e Herzegovina, Croácia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Eslovênia.
Com a situação relativamente pacificada, a federação de futebol foi reconstituída. E a Iugoslávia pôde, enfim, dar vazão ao desenvolvimento de seu futebol. A primeira mostra de força foi dada nas Olimpíadas: em 1948, nos Jogos de Londres, e quatro anos depois, em Helsinque, duas medalhas seguidas de prata. (aliás, no torneio olímpico de 1952, veio a maior goleada da história; 10 a 1 na Índia)
A ascensão continuou nas Copas, com duas chegadas às quartas de final, em 1954 e 1958. E resultou num título, finalmente: a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. A boa fase foi corroborada com o vice-campeonato na primeira Eurocopa, no mesmo ano. E, finalmente, confirmada em 1962. Contando com uma equipe que mesclava titulares do time campeão olímpico, como o goleiro Soskic, a jogadores da qualidade de Josip Skoblar, Dragoslav Sekularac e Drazen Jerkovic, a equipe chegou ao quarto lugar na Copa do Mundo. E tendo um dos artilheiros do Mundial: Jerkovic foi um dos vários a ter marcado quatro gols no Chile.
Houve ainda certo hiato, e a equipe ficou fora da Copa de 1966. Mas foi apenas até a explosão da geração capitaneada por Dragan Dzajic e Ilija Petkovic. E a aparição definitiva mal demorou: já em 1968, a equipe vendeu caríssimo a derrota na final da Eurocopa, só sendo superada pela Itália num jogo extra. De quebra, Dzajic foi o artilheiro da Euro, com dois gols.
Seis anos depois, viria nova participação honrosa, na Copa de 1974. A equipe chegou à segunda fase, dominando um grupo que continha o campeão Brasil, e conseguiu repetir a maior diferença de gols em sua história, ao golear o Zaire por 9 a 0 - goleada que, lembre-se sempre, foi a maior da história das Copas, até o 10 a 1 da Hungria em El Salvador, em 1982.
Em 1976, sediando a Eurocopa, a equipe permaneceu justificando status de bom time, chegando à quarta posição. Todavia, seria o último momento de grande brilhantismo. Na Copa de 1982, uma campanha fraca, com a eliminação na primeira fase - frustração que se repetiu na Euro 1984. A geração de Dragan Stojkovic, Tomislav Ivkovic e Srecko Katanec ainda era nova demais para poder render algo.
Três anos depois, no Mundial de Juniores, a equipe de Mirko Jozic revelou vários atletas que faltavam para poder se unir aos que já estavam entre os profissionais. Chegava ali a geração de Robert Jarni, Zvonimir Boban, Robert Prosinecki, Predrag "Pedja" Mijatovic e Davor Suker. Que venceu brilhantemente a competição no Chile, superando o Brasil, campeão de 1985, nas quartas de final, e a Alemanha Ocidental, na decisão, para ser campeã.
Chegando à Copa de 1990, aquela geração já se mesclara bem aos remanescentes da Euro de seis anos antes. E o time de Ivica Osim fez uma campanha mais do que digna: secundou a Alemanha, na primeira fase, e novamente exigiu esforço extra para ser eliminada, só caindo nos pênaltis, contra a Argentina, nas quartas de final.
Um ano depois, o Estrela Vermelha era campeão da última edição da Copa dos Campeões com este nome. Os jogadores iugoslavos eram tidos e havidos como dos mais habilidosos da Europa. E comprovaram isso na campanha das Eliminatórias para a Eurocopa de 1992, quando pontearam o grupo 4 e tiveram o artilheiro da qualificação, Darko Pancev.
Porém, a situação interna iugoslava voltara a ser de tormenta. O marechal Tito já havia falecido, em 1980. Slobodan Milosevic, que assumira o comando do país em 1989, não conseguia controlar os conflitos étnicos cada vez mais crescentes. E eles eclodiram, em 1992, levando a nova reconfiguração do país. Sem saber, um amistoso contra a Holanda, com derrota para a Oranje, por 2 a 0, em Amsterdã, a 25 de março de 1992, foi a última partida da história da seleção da antiga Iugoslávia.
Sérvia e Montenegro: os remanescentes
Independência das repúblicas conquistada à força, somente Sérvia e Montenegro concordaram em manter-se unidos, a partir de 1992, no que agora chamava-se República Federal da Iugoslávia. Todavia, a violência das guerras étnicas havia feito com que a equipe fosse suspensa pela Fifa, não participando nem da Eurocopa, para a qual já estava classificada - e cedendo a vaga à Dinamarca, futura campeã. Na Copa de 1994 e na Euro 1996, permaneceu suspensa e não participou das eliminatórias.
Com um novo país, surgiu uma nova seleção. Somente contando com sérvios e montenegrinos, a equipe jogou sua primeira partida contra o Brasil, num amistoso em dezembro de 1994, no Olímpico, em Porto Alegre, com derrota por 2 a 0. E, comandada por Slobodan Santrac, a equipe voltou a participar de eliminatórias para uma Copa. No grupo 6 da qualificação europeia para o Mundial de 1998, a equipe terminou em segundo lugar. Foi para a repescagem, humilhou a Hungria com duas goleadas (7 a 1 em Budapeste, na ida; 5 a 0 em Belgrado, na volta) e retornou a um Mundial.
Na França, novamente, a equipe conseguiu uma campanha respeitável. Contando com veteranos da antiga Iugoslávia, como Stojkovic e Savicevic, a equipe ainda recebia gente que não tivera tempo de ser testada antes, como Vladimir Jugovic, Sinisa Mihajlovic e Ljubinko Drulovic, e via os novos Dejan Stankovic e Savo Milosevic. Bastou para fazer boas performances, terminando como vice-líder do grupo F, empatada em pontos com a Alemanha, e sendo eliminada a muito custo, nas oitavas de final: conseguiu empatar a partida contra a Holanda (e perdeu a chance de ficar em vantagem, em pênalti perdido por Mijatovic), mas sofreu o gol da vitória do time de Guus Hiddink, nos acréscimos do segundo tempo.
Todavia, o processo de "limpeza étnica" que Slobodan Milosevic controlava no país, levando à novos conflitos - principalmente com Kosovo - e ao bombardeio da OTAN, em 1999, fez com que a equipe novamente sofresse turbulências depois. Na Euro 2000, a equipe até conseguiu a classificação para as quartas de final, mas foi goleada por 6 a 1 pela Holanda, um dos países-sede e mesmo algoz da Copa de 1998.
A crise fez com que a equipe, agora já com o nome Sérvia e Montenegro, sofresse nas Eliminatórias para a Copa de 2002. Nem mesmo um comitê de três técnicos, formado por Ivan Curkovic, Vujadin Boskov e o velho ídolo Dejan Savicevic, conseguiu recuperar a equipe a tempo de conseguir a vaga no Mundial de Japão e Coreia do Sul. Para a Euro 2004, novo revés já na qualificação.
Mas tudo se resolveria para a Copa de 2006. Treinada por Ilija Petkovic, a equipe fez ótima campanha nas Eliminatórias, notabilizou-se pela defesa quase impenetrável (levou somente um gol em dez jogos, a melhor defesa da qualificação da Europa) e chegou na Alemanha prometendo grandes dificuldades no Grupo da Morte, com Holanda, Argentina e Costa do Marfim.
Novamente, a geografia...
Todavia, pouco antes da Copa, em 21 de maio de 2006, um referendo feito em Montenegro decidiu pela separação das duas repúblicas. Somado a decisões controversas de Ilija Petkovic (como a convocação do próprio filho, o zagueiro Dusan Petkovic, para substituir o cortado Vucinic), o fato dilapidou o ambiente da equipe na Alemanha. Não ofereceu resistência à Holanda, que derrotou os sérvios-montenegrinos na estreia. Muito menos à Argentina, que trucidou a equipe com um 6 a 0. Já eliminada, acabou perdendo para a Costa do Marfim: mesmo começando com um 2 a 0, levou a virada.
E estava acabado. Agora, Sérvia para um lado, Montenegro para outro. E os sérvios começaram sua história de um modo promissor, vencendo a República Tcheca por 3 a 1, fora de casa, em um amistoso feito no dia 16 de agosto de 2006. Todavia, os primeiros técnicos, o espanhol Javier Clemente e o conhecido Miroslav Djukic, não conseguiram colocar a equipe nos eixos, deixando-a de fora da Euro 2008.
Até que chegou Radomir Antic. E o time foi organizado, fez ótima campanha nas Eliminatórias e está na Copa de 2010. Agora, é torcer para que a geografia não atrapalhe de novo.

Fonte
http://www.trivela.com/Conteudo.aspx?secao=54&id=21323

Site
http://www.fss.rs/