terça-feira, 8 de junho de 2010

Koninklijke Nederlandse Voetbal Bond

Já havia gente jogando futebol na Holanda desde 1865, quando o esporte chegou ao país, trazido por imigrantes ingleses. Todavia, o impulso definitivo veio somente em 1879, quando o primeiro clube a praticar o esporte foi fundado: era o Haarlemsche Football Club, criado por Pim Mulier.
Mulier, aliás, foi pessoa fundamental para os esportes como um todo, na Holanda. Basta dizer que também organizou os primeiros eventos de atletismo no país, além de ter ajudado a introduzir na Holanda modalidades como o hóquei na grama e o tênis, ambos conhecidos por ele em meio aos estudos, na Inglaterra. Completando, Mulier ajudou a organizar até o primeiro jogo de futebol na Alemanha.
Não impressiona, portanto, que Mulier tenha sido fundamental na criação da primeira entidade a comandar o futebol na Holanda, a NVAB (Nederlandsche Voetbal en Athletiekebond), criada em 8 de dezembro de 1889. E também foi agente fundamental na separação das entidades - e consequente criação da NVB (Nederlandsche Voetbal Bond), em 1895. Logo, viria a renomeação definitiva para KNVB (Koninklijke Nederlandsche Voetbal Bond).
Com tal histórico - e a criação de vários clubes, como o Sparta Rotterdam, de 1888, ou o Ajax, em 1900 - também não é de se surpreender que a federação holandesa tenha agido como uma das fundadoras da Fifa, em 21 de maio de 1904, com Carl Hirschmann como representante.
Começa a história: vergonha em laranja
Não demorou muito e, em 30 de abril de 1905, veio o primeiro jogo da história da seleção holandesa. Pela Copa Van den Abeele, a equipe goleou a vizinha (e até hoje rival) Bélgica, fazendo 4 a 1, com todos os quatro gols marcados por Eddy de Neve. No dia 14 de maio, mais uma partida contra os belgas - e mais uma goleada do time, desta vez por 4 a 0, jogando em casa.
Nos três primeiros anos, a equipe enfrentaria somente a Inglaterra, além dos belgas. Sofreria sua primeira derrota em 29 de abril de 1906, para os Diabos Vermelhos, caindo por 5 a 0. Porém, seria um placar mínimo, diante da maior goleada sofrida até hoje pela equipe dos Países Baixos.
Por coincidência, a equipe entrou em campo contra a Inglaterra, no dia 21 de dezembro de 1907, ostentando pela primeira vez as camisas laranjas que lhe dariam o apelido (Oranje - obviamente, "Laranja" em português). E foi justamente contra o English Team que a equipe sofreu uma goleada de 12 a 2. Só Harry Stapley marcou cinco gols. E a primeira partida das camisas laranjas ficou marcada por isso.
As Olimpíadas. E os Mundiais
Em 1908, a equipe foi competir no torneio olímpico de futebol, nos Jogos de Londres. De cara, nas semifinais, enfrentou o Reino Unido. Uma goleada de 4 a 0 para os donos da casa, com o mesmo Harry Stapley que fora carrasco no ano anterior marcando os quatro gols. De consolo, viria o terceiro lugar, com a vitória por 2 a 0 sobre a Suécia.
Ainda viriam mais duas medalhas de bronze, nas Olimpíadas de Estocolmo, em 1912, e Antuérpia, em 1920. Em Paris-1924, um quarto lugar. Decepção maior viria em 1928, quando, jogando em Amsterdã, foi eliminada na primeira fase do torneio olímpico. Mas, aí, já estava criada a ideia da Copa do Mundo.
E seria com a geração dos já veteranos Puck van Heel e Wim Anderiesen, além de Beb Bakhuys e Kick Smit, treinada por Bob Glendenning, que a equipe enfrentou as eliminatórias para o Mundial da Itália, vencendo a Irlanda e a Bélgica para chegar à sua primeira Copa. Todavia, na fase final, não houve sucesso: a equipe caiu já na primeira fase, sendo eliminada pela Suíça, que venceu por 3 a 2.
E a mesma geração continuou fazendo parte da base do time pelos quatro anos seguintes. Nas eliminatórias para a Copa de 1938, goleada em Luxemburgo, por 4 a 0, e empate com a Bélgica, por 1 a 1. Resultado: nova ida a um Mundial. Porém, nova eliminação na primeira fase, para a República Tcheca. Estava aberta a grande hibernação na qual a Oranje mergulharia.
Rendendo-se à nova realidade
Tanto pelo fato da federação holandesa combater o amadorismo, como pelo fato da Segunda Guerra Mundial ter dizimado o país, o fato é que a seleção holandesa passou a década de 1940 - e boa parte da de 1950 - em uma profunda hibernação. A aversão holandesa à ideia de que se pagasse para jogar era tamanha que rendeu até o banimento de um dos principais jogadores holandeses de então, Faas Wilkes, que mudou-se para a Internazionale (chegaria a jogar no Torino e no Valencia) e chegou a ficar por algumas partidas sem aparecer.
Todavia, não dava para ignorar o fato de que Wilkes era um dos maiores talentos holandeses de então. Tanto é que, junto de Abe Lenstra e Kees Rijvers, ele formava o chamado "trio de ouro", que só perdeu uma partida, das dez em que atuou. Porém, ainda era pouco. Tanto é que a equipe só apareceu para jogar nas Olimpíadas de 1948 - quando foi eliminada pelo Reino Unido - e 1952, quando foi goleada pelo Brasil, por 5 a 1. Em Copas do Mundo, a equipe só retornaria para disputar as Eliminatórias de 1954, das quais não passaria.
Entretanto, a KNVB foi forçada a reconhecer que não dava mais para caminhar contra o profissionalismo. E, enfim, em 1954, foi criada a Eredivisie, a liga profissional de futebol do país. A princípio, organizada pela NBVB (Nederlandse Beroepvoetbalsbond). Mas logo englobada pela KNVB. Na década seguinte, surgiriam os primeiros frutos da era profissional do futebol holandês.
1974: o ano em que tudo mudou
Mesmo depois da adoção do profissionalismo, a equipe não conseguia se desenvolver no cenário internacional: perdeu para a Áustria a vaga na Copa de 1958, ficou atrás da Hungria nas Eliminatórias para a Copa de 1962, e viu a Suíça ser a melhor, no grupo de qualificação para 1966. De certa forma, até melhor do que a primeira participação na Eurocopa, nas qualificações para a edição de 1964, quando perdeu a vaga graças a uma derrota por 2 a 1... para Luxemburgo.
Todavia, tudo mudou após o dia 07 de setembro de 1966. Nesse dia, estreou pela seleção aquele que seria o símbolo da mudança, a personificação da aparição holandesa, aquele que, pode-se dizer, mudaria a história do futebol holandês sozinho: um certo Hendrik Johannes Cruyff. Que, já no empate por 2 a 2 com a Hungria havido naquele dia, marcou seu primeiro gol pela Oranje.
Naquela época, ainda havia certa entressafra de talentos. Ao mesmo tempo que havia veteranos como o goleiro Eddy Pieters Graafland, ou até companheiros de Ajax, como Sjaak Swart e Klaas Nuninga. Mas já havia lá gente como o zagueiro Rinus Israël e o atacante Piet Keizer, que ficariam para a revolução que haveria.
Cruyff ainda seria suspenso da seleção por um ano, após uma expulsão num amistoso contra a Tchecoslováquia, ainda naquele 1966. Mas, aos poucos, apareceriam companheiros como Wim Suurbier, estreado no mesmo ano. Ou Wim van Hanegem, que começou em 1968. Ou Ruud Krol e Rob Rensenbrink, que vieram em 1969. Ainda não viria a classificação para a Copa, em 1970 - derrotas para Bulgária e Polônia eliminaram a Holanda, no grupo 8 europeu.
Mas o Futebol Total já estava nascendo. Teria sua primeira aparição, quando o Feyenoord de Israël, Theo Laseroms, Wim Jansen e Van Hanegem levou a primeira Copa dos Campeões de um clube holandês, em 1969/70. Depois, o Ajax de Rinus Michels, que ganhou as três Copas dos Campeões seguintes.
Aquela nova geração - agora já com outro protagonista, Johan Neeskens, e treinada pelo tcheco Frantisek Fadrhonc - já estreou nas Eliminatórias para a Copa de 1974 repetindo a maior goleada da história: em 1º de novembro de 1972, um 9 a 0 sobre a Noruega. Viriam mais duas goleadas (8 a 1 e 5 a 0 sobre a Islândia), além de um 2 a 1 sobre os noruegueses. Um empate sem gols contra a Bélgica deixava a equipe igual em pontos com os vizinhos e rivais, mas também dava a vantagem do empate. E ele veio: um 0 a 0, fora de casa, com um gol anulado para os belgas, colocou a Oranje na Copa de 1974.
Foi a vez de Fadrhonc abrir espaço para Rinus Michels, que assumiu a equipe em 1974. Alguns ajustes no time, como colocar Ruud Krol na zaga, e pronto: estava feita a equipe que, até hoje, personifica o futebol holandês. E que fez história conhecidíssima na Copa de 1974.
A entressafra. E outra geração fenomenal
Veio a Eurocopa de 1976, quando a equipe, dizimada por problemas internos, fracassou nas semifinais, para a futura campeã Tchecoslováquia. Mais um vice mundial, em 1978, quando o time já era comandado por Ernst Happel. E aí, começou uma entressafra que lembra a dos anos 1950: a equipe fez campanha melancólica na Eurocopa de 1980. E ficou fora das Copas de 1982 e 1986.
Nesta última, em especial, as eliminatórias foram crueis: a equipe foi para a repescagem, justamente contra a Bélgica. Perdeu o jogo de ida por 1 a 0, e vencia o segundo, por 2 a 0, em Roterdã. Porém, um gol de Georges Grün, aos 40 minutos do segundo tempo, levou os belgas para o Mundial, por marcarem fora de casa.
Mesmo assim, já havia o nascimento de uma seleção esperançosa. Se o começo dos anos 1980 trazia atletas que ficaram apenas na história, como Ronald Spelbos, Bennie Wijnstekers e Michel van der Korput, àquela altura já havia um trio. Formado por Frank Rijkaard, Marco van Basten e Ruud Gullit.
E esse trio, somado a outros da mesma geração, como o defensor Ronald Koeman, ou gente mais experiente, como o goleiro Hans van Breukelen e o meio-campista Arnold Mühren, deu a maior alegria do futebol holandês até hoje: a Eurocopa de 1988. Com imagens históricas, como o gol de Van Basten, na decisão, contra a União Soviética. Ou a vitória sobre a Alemanha, nas semifinais, considerada uma ligeira vingança da Copa de 1974.
As decepções se acumulam
 Porém, a mesma geração de tantas boas lembranças decepcionou na Copa de 1990. Na Eurocopa de 1992, quando já dividia espaço com novatos como Dennis Bergkamp e Ronald de Boer, até começou bem, mas esbarrou na Dinamarca. Finalmente, em 1994, uma equipe já ligeiramente decadente acabou sendo derrotada pelo Brasil.
Nesse momento, a nova geração já possuía novos companheiros, como Marc Overmars. Depois do Mundial dos Estados Unidos, novos jogadores chegaram, como Edgar Davids, Clarence Seedorf e Edwin van der Sar. Porém, crises de relacionamento minaram o elenco, na Eurocopa de 1996. E, na Copa de 1998, o time só parou nos pênaltis, contra o Brasil.
Surgiu mais uma entressafra. Que, colidindo com um infeliz trabalho de Louis van Gaal, acabou por deixar a Oranje fora da Copa de 2002. Dick Advocaat assumiu, a equipe conseguiu ir à Eurocopa de 2004, na qual chegou às semifinais.
Marco van Basten já comandou uma nova geração, com Wesley Sneijder e Rafael van der Vaart como protagonistas. O time teve um desempenho mediano na Copa de 2006 - e razoável na Euro 2008, quando fez uma primeira fase esplendorosa, mas caiu diante da Rússia, nas quartas de final. Agora, chega para a Copa de 2010.

Site
www.knvb.nl