sábado, 19 de junho de 2010

Federação Portuguesa de Futebol

As participações portuguesas em Copas do Mundo são marcadas por glórias e vexames. Das quatro vezes que disputou o torneio, por duas Portugal foi semifinalista (em 1966 e 2006). Nas demais oportunidades, em 1986 e 2002, a equipe sequer passou da primeira fase.
Em 2010, o objetivo é tentar repetir as melhores campanhas. Para chegar à África do Sul, a vida dos Tugas não foi nada fácil. Portugal demorou a engrenar no grupo 1 das Eliminatórias Europeias — que tinha também Dinamarca, Suécia, Hungria, Albânia e Malta. Depois de um começo fraco, com apenas seis pontos em cinco partidas, o time de Carlos Queiroz reagiu, ganhou quatro dos últimos cinco jogos e terminou atrás apenas dos dinamarqueses.
Com a segunda posição, Portugal precisou enfrentar a Bósnia de Dzeko, Misimovic e Ibisevic na repescagem. Tudo levava a crer que a disputa seria acirrada. E de fato foi, mas só no primeiro jogo, em Lisboa. No estádio da Luz, Portugal venceu por 1 a 0, mas não sem tomar sufoco da seleção do leste europeu, que mandou três bolas na trave.
No jogo de volta, um gol de Raul Meirelles aos 16 minutos do segundo tempo facilitou a vida da seleção portuguesa. A Bósnia não conseguiu pressionar os portugueses, como era esperado, e Portugal conseguiu vaga no Mundial pela quinta vez (terceira consecutiva). Cristiano Ronaldo, grande estrela e esperança dos portugueses para a Copa, não atuou em nenhuma das duas partidas decisivas, porque estava machucado.
Outro nome importante, porém, apareceu no final das eliminatórias. Sem um centroavante titular desde a aposentadoria de Pauleta, o brasileiro (naturalizado) Liedson apareceu para dar um jeito no setor. Ao lado de Deco e Pepe, o atacante forma a trinca de brasileiros na seleção de Portugal. E a relação de ex-metrópole e ex-colônia vai ficar ainda mais próxima na África do Sul, já que, quis o destino colocar Brasil e Portugal na mesma chave da Copa. Ao lado de Costa do Marfim e Coreia do Norte, as seleções formam o grupo G, considerado por muitos o mais complicado da competição.
A Copa do Pantera Negra
A melhor campanha que o país já teve na história das Copas do Mundo traz uma semelhança com 2010: o confronto com o Brasil na primeira fase do torneio. Na Inglaterra, em 1966, portugueses e brasileiros estavam acompanhados de Bulgária e Hungria no grupo.
Depois de vencer húngaros por 3 a 1, e búlgaros por 3 a 0, os Tugas foram enfrentar o Brasil no dia 19 de julho. O confronto marcaria um duelo entre dois dos maiores jogadores do mundo na época. E o que se viu foi uma apresentação de gala de Eusébio, que marcou duas vezes para Portugal. Pelé, assim como os outros brasileiros, pouco fez e a partida acabou com a vitória portuguesa por 3 a 1.
O resultado tirou o Brasil da Copa e garantiu Portugal, comandado pelo brasileiro Otto Glória, nas quartas de final. Pela frente, mais um confronto que será visto na África do Sul. A surpreendente Coreia do Norte chegou no mata-mata cadastrada por ter eliminado Itália e Chile na fase de grupos.
Logo no início da partida, o mundo teve a impressão de que veria uma grande zebra. Em 25 minutos, a seleção asiática vencia por 3 a 0. Mas a partir daí Eusébio apareceu e mudou o rumo do jogo. O Pantera Negra fez quatro gols, José Augusto marcou o quinto, e Portugal passou para as semifinais. Era hora de enfrentar os anfitriões.
A Inglaterra tinha um grande time, com jogadores do calibre de Bobby Charlton e Gordon Banks. E foi Charlton que, aos 30 minutos do primeiro tempo, e aos 35 do segundo, fez os gols ingleses. Eusébio diminuiu aos 37 minutos da etapa final, mas os Tugas perderam a chance de chegar à final.
Na disputa do terceiro lugar, contra a União Soviética, Eusébio marcou seu nono gol na competição e se tornou o artilheiro da Copa. Malafeyew empatou para os soviéticos, mas Torres fez no minuto final da partida e garantiu a vitória de Portugal. O terceiro lugar foi a melhor posição que Portugal já alcançou em Mundiais e Eusébio saiu da Inglaterra como artilheiro e um dos principais nomes do futebol mundial.

Com Felipão, mais uma semifinal
Depois da campanha vexatória de 2002, quando foi eliminado na primeira fase do torneio, Portugal contratou o técnico campeão daquela Copa do Mundo: Luiz Felipe Scolari. Com ele no comando, os Tugas tiveram o melhor desempenho da seleção em uma Eurocopa. Em 2004, jogando em casa, os portugueses chegaram na final, mas perderam para a surpreendente Grécia. A partir dali, a Copa do Mundo da Alemanha tornou-se uma obsessão para Felipão e companhia. No sorteio, os Tugas deram sorte e caíram no grupo D, com o México, cabeça-de-chave, Angola e Irã.
Com três vitórias, a seleção portuguesa se classificou com tranquilidade na chave. Nas oitavas de final, Portugal teve pela frente a força da seleção da Holanda. E, num jogo cheio de brigas, a equipe comandada por Felipão venceu por 1 a 0.
Nas quartas de final, a algoz de 66 aparecia mais uma vez pelo caminho. Em um jogo tenso, mas sem tantas oportunidades, Portugal e Inglaterra não saíram do 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, os Tugas deram o troco no English Team e venceram por 3 a 1.
Mais uma vez os portugueses estavam nas semifinais da Copa do Mundo. Pela frente, a França, de Zidane. Mais um jogo duro, com chances raras, e decidido numa cobrança de pênalti. Zidane fez aos 33 do primeiro tempo, e Portugal não conseguiu reverter. Restava apenas enfrentar a Alemanha na disputa pelo terceiro lugar.
Mas dessa vez a seleção portuguesa não conseguiu repetir o feito de 40 anos atrás e perdeu para os donos da casa por 3 a 1. Mais uma vez os Tugas ficaram com a sensação de que poderiam ter tido melhor sorte no Mundial. E por lá, todos já sabiam que Felipão não estaria no comando da seleção na África do Sul.
Decepções em 1986 e 2002
Vinte anos depois da primeira participação numa Copa do Mundo, Portugal chegava ao México querendo repetir a boa participação na Inglaterra. E a seleção começou muito bem, com uma vitória por 1 a 0 sobre o English Team.
Mas o clima na seleção portuguesa não era nada bom. Além de problemas com indisciplina, jogadores e Federação não se acertavam sobre a premiação da equipe. E, antes da segunda partida do torneio, contra a Polônia, os atletas fizeram greve de treinamentos.
O resultado não poderia ser outro: derrotas por 1 a 0 para a Polônia e 3 a 1 frente ao Marrocos tiraram Portugal da Copa. As outras três seleções do grupo passaram às oitavas de final da Copa.
Dezoito anos depois, mais uma decepção. Era a terceira Copa do Mundo de Portugal e a seleção tinha Figo como o grande astro da equipe. No sorteio, o grupo dos Tugas lhe parecia favorável: Coreia do Sul, Estados Unidos e Polônia.
Na prática, porém, o que se viu foi uma seleção perdida no começo do jogo contra os estadunidenses. Foram três gols dos americanos em 36 minutos. Portugal ainda fez dois gols, mas saiu derrotado.
A recuperação veio na vitória por 4 a 0 sobre a Polônia, na segunda rodada. Mas, na última partida da chave, contra a anfitriã Coreia, os lusos não foram bem e perderam por 1 a 0. Mais uma vez a seleção portuguesa decepcionava e era eliminada na primeira fase.

Fonte
http://www.trivela.com/Conteudo.aspx?secao=54&id=21527

Site
http://www.fpf.pt/