segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Club Atlético Peñarol

Dizem os cânticos, com veneração e paixão, que será eterno como o tempo e florescerá em cada primavera. É o Clube Atlético Peñarol, velho caminhante do futebol do Rio da Prata. As suas raízes remontam a 1890, quando a Empresa central de Caminho de ferro, dirigida por ingleses, decidiu erguer as suas novas instalações numa povoação dos arredores de Montevidéu, onde muito tempo atrás se instalara um agricultor italiano de nome Pedro Pignarolo (que em castelhano lê-se piñarolo). Com o tempo, o nome foi sendo moldado pelos locais, dando origem ao chamado pueblo de Peñarol.
Em 1891, Mister Roland Moor, presidente da companhia, decidiu criar uma instituição desportiva, destinada à prática do futebol, a que deu o nome de Central Uruguai Railway Cricket Club, o CURCC, sendo suas cores, o preto e amarelo da empresa ferro carril.
Seria só em 1913 que, no decorrer de uma entusiasta assembléia, surge a ideia de mudar o nome do clube, de forma a ficar clara a sua gênese uruguaia. O nome eleito seria, sem contestação, o da povoação onde nascera: Peñarol.
Era o nascer dos primeiros grandes mitos aurinegros, como Juan Pena, Mazzucco, Los Camacho, Mañana, Isabelino Gradín, Acevedo e o elegante José Piendibene, que, grande goleador, nunca festejava os seus golos por respeito aos adversários. É então por esta época, meados dos anos 1910, que nasce uma visceral rivalidade, que atravessaria o tempo, entre os dois maiores clubes do Uruguai: Peñarol e Nacional, os monstros de Montevidéo.
Em 1918 o Peñarol faria história no campeonato uruguaio com uma equipe que alinhava grandes valores do futebol, que poderia medir forças com qualquer quadro do orbe sem menoscabo.Eram eles:Roberto Chery, José Benincasa e Pedro Rimolo (Alfredo Granja); Juan Pacheco, Juan Delgado e J.Delacroix; José Perez, Armando Artigas, José Piendibene, Isabelino Gradín e Antonio Campolo.A conquista do torneio nacional deste ano acabou com a supremacia do Nacional que vinha de um tri-campeonato.
Em 1921,durante a presidência de Julio Maria Sosa, surge a iniciativa de construir um estádio perto do famoso balneário montevideano de Pocitos,que chegou a abrigar alguns jogos do primeiro Campeonato Mundial de Futebol em 1930. Esse estádio foi demolido nos anos 1940.
Na história do Peñarol figura o primeiro título nacional da era profissional, em 1932, mas apesar da presença de nomes grandes do fútbol uruguaio, como Pedro Young (El Tigre), Luis Matozzo (El Grande), Ernesto Mascheroni (prodigioso esquerdino), Obdulio Varela (El Negro Jefe), e, entre outros, Álvaro Gestido, imponente defensor que fez história ao travar e vencer o épico duelo com o avançado argentino Peucelle na final do Mundial de 30, as décadas de 30 e 40 foram de domínio do Nacional.


Em 1949, o clube aurinegro forma um de seus mais famosos quadros de todos os tempos. Era uma equipa tão forte que formaria a base do conjunto uruguaio que arrebataria a Copa Jules Rimet em 1950 diante de um Maracanã com 200.000 pessoas.Essa alinhação , conhecida como La Maquina del 49 se compunha dos seguintes atletas: Rogue Máspoli, Enrique Hugo, Mirto Davoine (Sixto Posamai), Juan C.González, Obdúlio Varela, Washington Ortuño, Alcides Ghiggia, Juan Eduardo Hohberg, Juan Schiaffino, Oscar Míguez e Ernesto Vidal.
Maracanã, Final do Mundial de 50: A onze minutos do fim, o extremo uruguaio Alcides Edgardo Ghiggia passou Bigode, lateral brasileiro, e de ângulo apertado, bateu Barbosa, oferecendo a Copa à Celeste. Como grandes mentores desse mítico milagre futebolístico estava a base da equipa do Peñarol da época: o guarda redes Roque Maspoli, o defesa Gonzales, o médio Obdulio Varela, o avançado centro Oscar Miguez, e os autores dos dois golos, o ala esquerdo Ghiggia e o sensacional Juan Schiaffino, titular do Peñarol desde os 18 anos. Estreara-se na selecção em 1945, formando o trio ofensivo com o seu irmão Raul Schiaffino, dois anos mais velho e Walter Gomez. Faria, depois, 25 jogos pela Celeste. Frio, cerebral e ágil, parecia um jogador de outro planeta. Em 1954, transferiu-se para o Milan onde foi durante várias épocas figura de topo, acabando por alinhar, também, na selecção italiana. Ficou famosa a sua dupla com Ghiggia, considerado, até hoje, o melhor extremo de toda a história do futebol charrua. Muito rápido, parecia voar como uma pluma atrás da bola, driblava em corrida e gostava de rematar das posições mais incríveis.
Como avançado centro, jogava Oscar Miguez, apelidado de Cotorra (Papagaio, em espanhol) imponente no jogo aéreo e mestre a jogar sem bola. Ficaram famosas as suas fintas de corpo. Na baliza, estava o espectacular Roque Máspoli, um guarda redes corpulento que começara nas escolas do Nacional e mais tarde se tornaria treinador do Peñarol e da seleção uruguaia. No meio campo estava o habilidoso médio direito Julio César Abbadie, grande figura da equipa de 1953 e 1954, altura em que saiu para o Génova italiano, e, claro, o caudillo Varela.

Chama-se Gastón Guelfi e foi o presidente que, desde 1958, mudou a história do Peñarol, tornado-o uma potência do futebol sulamericano. Esteve no cargo até 1972 e durante o seu reinado, o clube conquistou os seus maiores títulos nacionais e internacionais. Luzindo um estilo artístico, lutador, com a bola a ser tratada com carinho latino americano, o Peñarol tornou-se famoso em todo o mundo, na década de 1960, quando após vencer a Taça Libertadores, também conquistou, por duas vezes consecutivas, 1960 e 1961, a Taça Intercontinental. Conta-se que quando entrava em campo, os seus jogadores logo iam avisando os adversários: Trouxeram outra bola para jogar? É que esta é só para nós, perguntavam sobranceiros.
Era a era dourada de um histórico onze, que combinando a magia de grandes estrelas com o espírito lutador charrua, iria lançar o primeira grande ciclo do Peñarol, coroado com o inolvidável quinquenio, o penta uruguaio, resultado da conquista de 5 títulos consecutivos de campeão: 1958, 1959, 1960, 1961 e 1962.
Finda a época de Obdulio Varela, chegou, em 1958, de Artigas, para o substituir, um outro astuto maestro: Néstor Tito Gonçalves, que enchia a cancha com os seus gritos A la carga!, incitando toda a equipa para o ataque. Para além dele, apenas o guarda redes Luís Maidana, o homem gato, jogou sempre no clube durante essas históricas 5 épocas.
Os dois primeiros títulos, 1958 e 1959, foram obra do técnico Hugo Bagnulo, que, descobridor do criativo médio ala direito Luís Cubilla e do goleador Spencer no Equador, formou um sólido onze por onde sobrevoavam os longos passes em profundidade de William Martinez, o canhãozito, e que tinha, entre outros, o brasileiro Alves da Silva, Walter Aguerre, Borges, Albert Hein, Linnazza, Roberto Garcia e o avançado Hohberg.
Seria com este bloco que, em 1961, o argentino Hector Scarone, sempre fiel ao tradicional 4-4-2, iria guiar o Peñarol á conquista da primeira Taça Intercontinental da sua história, goleando o Benfica de Eusébio por 5-0, após o 0-1 da Luz. No jogo de desempate, 48 horas depois ainda no Uruguai, dois golos do intuitivo Sacía deram a Taça aos uruguaios, 2-1.
Depois de Bagnulo, o Peñarol encontrara maior maturidade competitiva com Scarone, seu antigo lateral direito nos anos 1940. Como recorda o capitão Tito Gonçalves: Deu personalidade aos jogadores que não a tinham e travou aqueles que a tinham em demasia.

Nos anos 1960, ficaram célebres os titânicos confrontos entre o Real Madrid e o Peñarol, na Taça Intercontinental. Era o choque de duas distintas escolas futebolísticas, mas que falavam a mesma língua. No primeiro embate, em 1960, o Real Madrid esmagou os uruguaios, 5-0.
Em 1966, seis anos após essa goleada,, o Peñarol reencontrou o Real Madrid, onde a geração de Di Stéfano dera lugar ao chamado onze yé-yé. Os uruguaios, fechados a sete chaves pelo elástico guarda redes Mazurkiewicz, que esteve presente em 3 Mundiais, 1966, 1970 e 1974, e aprendera tudo com Maspóli, agora treinador, venceram 2-0 ambos os jogos, praticando um futebol sedutor que era seguro na defesa por Pablo Forlan, e obedecia, na meia-cancha aos toques de Gonçalves, Cortes, Abbadie e Pedro Rocha, encontrando depois o caminho do golo nos remates de Joya, Sasía e, sobretudo, Spencer, autor de 3 golos. O orgulho charrua, que nunca gosta de perder frente ao Império castelhano, estava reposto.

Durante os anos 1970, um grito ecoou por muitas canchas uruguaias: Nando!!! Eles destinavam-se a celebrar os golos do maior goleador da história do futebol uruguaio: Fernando Morena, El Potro, o artilheiro infalível, autor de 235 golos na Liga uruguaia, 34 deles apontados em 75, sendo até hoje record da prova, batendo a anterior marca de Young, datada de 1933.
Em 1978, bateu outro record, na posse de Falero desde 1947, fazendo 7 golos num só jogo, contra o Huracan. Foi o melhor marcador do campeonato por 7 vezes, 6 delas consecutivas, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977 e 1978.
Ingressou no Peñarol em 1973, vindo do River Plate de Montevideo, saindo em 1978, para o Rayo Vallecano da Espanha. Foi 7 vezes campeão uruguaio.

Depois de uma grande campanha para trazer El Nando de Espanha, em 1982, o Peñarol conquista sua quarta copa Libertadores, contra a equipe chilena de Cobreloa, e foi justamente ele, no último minuto do jogo, que fez o gol do título. No final daquele ano, disputou no Japão o título Intercontinental, conta a equipe inglesa Aston Villa, e venceu por 2x0, com gols do brasileiro Jair (ex Internacional) e Walkir Silva.
Em 1987, conquistou sua quinta Libertadores, contra o America de Cali, clube conhecido como "los diablos rojos". Em uma final disputadíssima, perdendo o primeiro jogo (em Cáli), por 2x1, e vencendo os dois jogos seguintes por 2x1 (em Montevidéu) e 1x0 (jogo desempate realizado em Santiago), respectivamente, gol que foi anotado nos acréscimos do segundo tempo por Diego Aguirre, conhecido como "La Fiera", o qual é eterno ídolo da torcida Carbonera.

Ansioso por honrar o centenário da sua fundação, o Peñarol formou, nos anos 1990, uma forte equipa que, dona do genuíno estilo uruguaio, lançou-o na senda do segundo quinquenio da sua história, logrando 5 consecutivos títulos de campeão: 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997. Um feito de dois treinadores: Gregorio Pérez, primeiro, e Jorge Fossati, depois.
O lema inicial de Pérez foi claro: Havemos de recuperar a mística! Assim foi, com um fantástico onze, onde se destacaram, o central Nelson Gutierrez, um produto da cantera, que jogara ainda na Intercontinental de 82, o atacante Pato Aguilera, o dinâmico Carlos De Lima, o lutador De los Santos, El Chueco Perdomo e o último grande símbolo aurinegro: Pablo Bengoechea, El Professor, presente nos 5 títulos. Fez 188 jogos e marcou 48 golos. O seu grande ídolo de infância era o brasileiro Falcão, um dos maiores ídolos da história do Sport Club Internacional. Durante toda a sua carreira procurou seguir o seu estilo. Foi sempre um cavalheiro dos relvados. A imagem perfeita do centenário espírito do Peñarol, preparado para mais 100 anos de intensa paixão futebolistica.

No século XXI, o Peñarol conquistou o Campeonato Uruguaio de 2003. Em 2010, o Peñarol teve uma seqüência invicta de 15 jogos e venceu o Clausura uruguaio de modo invicto, e bateu seu maior rival, o Nacional, depois de somar 4 pontos nas finais e seu rival somar apenas um ponto conquistando assim, depois de um longo jejum, seu 46º campeonato uruguaio. No cenário internacional, o Peñarol participou da Copa Libertadores da América de 2000 até 2005, inimterruptamente, obtendo a sexta colocação em 2002, ficando fora da Copa Libertadores na repescagem em 2009 e voltando a disputar o torneio em 2011. Na Copa Sul-Americana, o Peñarol disputou o troféu no ano de 2010, sendo eliminado nas oitavas de final pela equipe brasileira do Goiás.

Títulos

Copa Intercontinental1961, 1966 e 1982
Copa Libertadores 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987
Campeonato Uruguaio : 1900, 1901, 1905, 1907, 1911, 1918, 1921, 1924, 1926, 1928, 1929, 1932, 1935, 1936 ,1937, 1938, 1944, 1945, 1949, 1951, 1953, 1954, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1973, 1974, 1975, 1978, 1979, 1981, 1982, 1985, 1986, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1999 ,  2003 e 2010.

Estádio

Estadio José Pedro Damiani, mais conhecido como Las Acacias, é o estádio do Club Atlético Peñarol.
Foi inaugurado em 19 de abril de 1916 e conta com a capacidade para 12.000 pessoas.
Atualmente não se encontra liberado pela Intendencia Municipal de Montevidéu, por razões de segurança, para disputar partidas da primeira divisão, por isso a instituição disputa habitualmente suas partidas como mandante no Estádio Centenário, de propriedade estatal.


O Estádio Centenário é um estádio localizado em Montevideu, no Uruguai. É onde joga normalmente a Seleção Uruguaia de Futebol, e tem capacidade para 76 609 espectadores
Construído para sediar a Copa do Mundo de 1930, foi inaugurado com atraso devidas às chuvas em 18 de Julho de 1930, com o jogo Uruguai 1 a 0 contra o Peru. O nome deve-se à celebração do 100º Aniversário da Independência do Uruguai.
Em princípio, receberia todas as partidas do mundial, mas devido ao atraso 8 das 18 partidas do mundial foram disputadas no Estádio Gran Parque Central pertencente ao Nacional, e no Estádio Pocitos (hoje demolido) do Peñarol. O Centenário recebeu 10 jogos do Mundial, incluindo a final entre Uruguai e Argentina, vencida pelo Uruguai por 4 a 2. Também recebeu jogos dos Copa América de 1942, 1956, 1967 e 1995 (todas vencidas pelo Uruguai).
É muito utilizado pelos clubes de futebol locais, como o Peñarol e o Nacional.
Dentro do estádio há um Museu do Futebol, com histórias sobre sua construção e grandes clássicos realizados.






Alcunhas Manyas, Carboneros, Aurinegros, Mirasoles, Peñarolenses, Campeón del Siglo.

Site

http://www.capeñarol.org/