
A estréia da equipe aconteceu no dia 3 de abril, no campo da várzea, onde hoje está localizado o Estádio Municipal, junto ao Parque da Oktoberfest. O adversário foi o Clube Concórdia, de Santa Cruz do Sul, mas os registros não apontam quem venceu a partida.
Em julho, o clube realizou seu primeiro confronto fora da cidade. O jogo aconteceu em Candelária, para tal, a delegação, a bordo de carroças, deslocou-se no sábado à tarde para a cidade vizinha, pernoitou num hotel e, no outro dia, deu-se a partida, com vitória do Santa Cruz. À noite, os jogadores ainda prestigiaram o baile, e o retorno aconteceu apenas no dia seguinte.
Os anos posteriores foram de jogos com equipes amadoras. Os arquivos não dizem quando o Santa Cruz começou a dedicar-se ao profissionalismo. Apesar disto, sabe-se que entre as décadas de 20 e 30 o time já disputava os campeonatos estaduais, em eliminatórias. Nos anos de 32 e 33, ficou vice-campeão do interior, perdendo a final para o Pelotas, por 5 a 2, no antigo estágio do Grêmio, em Porto Alegre.
Na década de 60, o clube começou a disputar os certames organizados pela Federação Gaúcha de Futebol, que envolviam equipes regionais. Entre 1974 e 78, os dois times da cidade – Santa Cruz e o Avenida – seguiram a tendência dos demais no Estado e reuniram-se para uma fusão. A disputa das competições deu-se em um turno único, denominado Associação Santa- Cruzense de Futebol.
A união surtiu bons frutos. Sob o comando de Daltro Menezes, o time ficou entre os quatro melhores do Estado. A gota d’água para que a fusão acabasse foi a abriga entre dirigentes dos antigos clubes, Avenida e Santa Cruz. Além do mais sempre divulgado o nome do Santa Cruz em vez da Associação Santa Cruz, e os dirigentes do Avenida resolveram se afastar.
Na década de 80, o clube seguiu fazendo boas campanhas dentro do Gauchão, em 95 foi rebaixado para a Segunda Divisão, depois de grave crise financeira. Mas o time conseguiu retornar aos grupo de elite em 97 de forma bastante interessante.
A partir de 99, o Santa Cruz procurou se modernizar. Contratou jogadores de renome internacional e passou outra vez a realizar boas campanhas. No início daquele ano inaugurou um Posto de Gasolina junto aos Plátanos e agora tem planos de remodelação do estágio. Também nesta época deixou escapar o título do interior dentro de casa.
O mascote do clube é o Galo Carijó, e as cores do uniforme são o preto e o branco.
O Estádio dos Plátanos era muito diferente do que é hoje, quando, em 1934, o jogador encruzilhadense Dario dos Santos, o Caco Véio, recém-casado com Dona Alzira, foi morar lá, em um chalezinho. A área se estendia até o Expresso Albatroz.
Dario jogava no time desde os 16 anos e entre os treinos cuidava do estádio, dos fardamentos listrados de preto e branco e da copa de salgados que mantinha. Mais tarde se tornou treinador da equipe, totalizando 23 anos no clube. Até então, o Foot Ball Club Santa Cruz, fundado em 1913 por André Klarmann, já havia passado por várias fases. Na década de 20, quando ganhou casa própria — antes jogava na várzea onde hoje é o Estádio Municipal —, venceu seu maior rival da época, o Grêmio Esportivo Santa Cruz, por 2 a 0, firmando-se como o Galo Carijó, ou esporão de ouro, como canta seu hino. Com direito a passeata com carros enfeitados com ramos de bambu e chuchus pendurados. Em 1930, iniciou como profissional e, dois anos depois, chegou a ser vice-campeão do interior.
Quando o Avenida entrou em cena, em 1947, no 1º Avecruz, com empate de 2 a 2, teve início uma disputa que aqueceria as torcidas por muitos anos. Por falar em torcida, esta era um show à parte. Chegava ao estádio em passeata, com uma banda de música. Havia torcida organizada de senhoras, com fardamento e tudo, e o bloco dos homens. Para temperar o primeiro clássico, houve pancadaria generalizada, pela falta de alambrado. Neste clássico jogaram pelo Galo: Julio, Ormond, Lindolfo Gerhardt, Cafuringa, Felicíssimo, Joãozinho, Fogareiro, Hanny, Mico, o nosso conhecido Dario Santos e um novo personagem, Helio Almeida. O santa-cruzense Almeida retornara à cidade em 1942, para jogar nos juvenis do Santa Cruz. Depois passou para os adultos até ser escalado para presidir o clube. Aceitou e não conseguiu mais sair. Foram seis gestões intercaladas, até 1995, fora as assessorias que presta regularmente.
Almeida acompanhou as muitas fases do Santa Cruz. Inclusive o surgimento da Associação, na década de 70. Foi um fato que marcou a história do clube. E também a do arqui-rival, o Avenida. Uma fusão visava enfrentar a difícil fase financeira que ambos atravessavam. Foi quando surgiu a Associação Santa Cruz. Mas o casamento não vingou e voltou cada qual para o seu canto. Para Almeida, o melhor período do time foi na segunda divisão, em 1952, ano em que assumiu pela primeira vez a presidência e o Galo ficou vice, na disputa da categoria interior — Sá Vianna, de Uruguaiana sagrou-se campeão. Entre os destaques do Galo nesta trajetória, Almeida cita Amaro, Joãozinho, Paraguai, Paulo Cesar Tatu, Cuca, Calixto, Maninho, Betinho e Moacir. A velha rivalidade que esquentava o Ave-Cruz permanece até os dias atuais. Mas no passado, chegava a fechar o Quiosque e o Bar Polo Sul, em dia de jogo, para evitar confrontos das torcidas. Quanto à paixão pelo futebol, esta passa de pai para filhos, e netos, e bisnetos. Da descendência de Dario Santos vieram os netos — o jogador Paulo Spall (falecido), o irmão Luiz Fernando Spall, presidente da Associação de Árbitros de Santa Cruz e o primo Carlos Spall, jogador de futsal, mais o bisneto Luiz Carlos Walter Jr, infanto-juvenil do Internacional. Da descendência de Helio Almeida vieram os filhos Paulo e Luiz Eduardo Martins de Almeida, consecutivamente presidente e diretor de futebol do Galo. Como dizem na gíria popular, futebol é uma cachaça! E hoje o Estádio dos Plátanos tem área menor, mas melhores acomodações e abriga inclusive um posto de combustíveis.
Hino
Em 1913, debaixo deum céu muito azul,nasceu o esporão de ouronos verdes campos do sul.Hoje, o Rio Grande inteiro,rola vencido, a teus pés.Os plátanos são teu terreiroe todos sabem quem és.Galo! Me chamam de galo!Preto e Branco, tuas cores.E vamos sempre amá-loclube dos nossos amores.Teus torcedores te adoram,vibram com grande emoção.Fica eterna, te imploramdo fundo do coração.Galo! Me chamam de galo!És o clube mais amadona derrota ou na vitóriaEstamos sempre ao teu ladocom o peito cheio de glóriaHomens fiéis, decididos,fizeram a tua história,mesmo que tenham partido,vivem na tua memória.
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