sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Avaí Futebol Clube


Até a década de 20, o futebol era um privilégio de aristocratas e descendentes de europeus. Mas, logo todos perceberam que a bola se adaptava mais aos pés hábeis, as cinturas ágeis e ao talento dos jovens operários. E, em cada esquina surgia um "team". O futebol já era paixão nacional.

Na rua Frei Caneca, no bairro Pedra Grande, um bando de garotos enfrentava os campos improvisados e fazia uma festa aos domingos e feriados. No entanto, eles sonhavam em jogar com os "ternos" (uni- formes), como os times do Rio e São Paulo. Um dia, o comerciante Amadeu Horn realizou o sonho da gurizada. Dentro de uma caixa, saíram as camisetas listradas azuis e brancas, calções e meias azuis, chuteiras e uma bola nova. O uniforme era igual ao do seu querido Riachuelo.

Era a hora de estrear o jogo de “terno”. O adversário seria o temível Humaitá. Uma equipe forte e valente. E, num domingo, o campo do Baú ficou lotado. Lá, o goleiro não via a outra trave e nem o ponteiro direito enxergava o ponta-esquerda. Aliás, estes “pequenos” detalhes não interessavam. O que importava era a bola correndo. Os garotos de Amadeu Horn venceram. Infelizmente, os artilheiros se perderam pelo tempo. Jamais se saberá quem marcou o prImeiro gol do time azul e branco. O talento dos meninos entusiasmou Amadeu. Para comemorar o feito, ele deu uma festa.

Duas vitórias sobre o Humaitá. E alguém tem uma idéia genial: "Vamos fundar um clube!" Era o início da história do Avaí."Sorte". Esta foi a desculpa do humilhado Humaitá. E, foi marcada uma revanche. Nunca o campo do Baú viu tanta gente. Os “guris” de Amadeu Horn mos traram a garra e o talento da partida anterior. Uma nova vitória e uma outra festa. As meninas brindavam os heróis com doces, licores e cervejas. No peito, como se fosse um troféu, um laço de fita azul e branco. Na euforia, alguém sugeriu: “Por que não fundamos um clube de verdade?” A idéia foi aceita.

1º de setembro de 1923. Um sábado de tempo bom e vento norte. Um dia aparentemente normal. A cidade estava, como de costume, calma. Nas sombras da árvore frondosa, as pessoas conversavam. Entretanto, na residência de Amadeu Hom estava tudo preparado. Quem chegava assinava o livro de atas. Um só assunto foi discutido: o time de futebol. O nome escolhido foi Independência e Amadeu Hom eleito presidente.

Quando todos já começavam a traçar os planos do novo clube, chega atrasado, pois precisara trabalhar após o expediente, Arnaldo Pinto de Oliveira. Contaram- lhe as novas. Ele não concordou com o nome escolhido. “Independência é muito grande. Fica difícil incentivar o team. Quando a torcida estiver gritando, depois de um goal, Independência, o adversário empata o jogo. É preciso um nome menor. Além disso, as cores não combinam. Ou será que vocês querem mudar as cores?”, conta o historiador Osni Meira. “E que nome você sugere?”, perguntaram-lhe. Arnaldo estava lendo um livro de história do Brasil e gostara do episódio a Batalha do Avahy. “Vocês já pensaram na nossa torcida gritando Avahy?” A resposta veio em coro: "Avahy! Avahy!". Era o começo de uma história de glórias e lutas de um clube que nasceu sob o signo da vitória.

O primeiro Campeonato Estadual Catarinense foi inaugurado em 1924 e conquistado pelo Avaí, o primeiro título do clube. O time ganha o Estadual de 1926 e de 1927, sendo a primeira equipe do Estado a conseguir esta proeza. Em 1928, o Leão da Ilha, como também é conhecido, obteve o tricampeonato.

Nos anos 30, no entanto, só sagrou-se campeão de um torneio de grande expressão uma vez, quando conquistou o Estadual de 1930. No mesmo ano, inaugurou seu estádio, o Adolfo Konder, mais conhecido como o Campo da Liga, que seria o palco das maiores glórias avaianas.

Em 1938, o clube aplicou a maior goleada do clássico estadual contra o Figueirense. O Leão da Ilha bateu o Figueira por 11 a 2. Neste jogo teve a estréia do maior artilheiro da história destes confrontos, Saul. Nesta partida, ele faria o primeiro dos 41 marcados nas 45 partidas em que jogou.

Na década de 40, o clube conseguiu o incrível feito do tetracampeonato estadual, nos anos de 1942, 1943, 1944 e 1945, até então um feito inédito para os clubes de Santa Catarina. Saul e Nizeta seriam os grandes destaques destas conquistas.

As décadas seguintes não teriam importantes conquistas e o estadual seria reconquistado apenas em 1973, depois de 27 anos de jejum, após uma vitória sobre o Juventus de Rio Sul. Outros dois títulos seriam conquistados em 1973 e 1975.

Em 1983, o estádio Aderbal Ramos da Silva, mais conhecido como Ressacada, foi inaugurado. Na sua estréia em 15 de novembro de 1983, o clube perdeu por 6 a 1 para o Vasco da Gama. Somente em 1988 a equipe poderia comemorar o título estadual dentro de sua nova casa. Na final, com recorde de público - 25.735 pagantes -, triunfo sobre o Blumenau.

Um ano para não ser lembrado pelos torcedores foi 1993. O clube ficou em
penúltimo lugar no estadual e acabou sendo rebaixado para a segunda divisão. O reerguer aconteceria no ano seguinte, quando se sagraria campeão da divisão de acesso ao vencer na final o Hercílio Luz.

Em 1997, o time conquistou outro título estadual. Um ano depois, venceu o Campeonato Brasileiro da Série C. O clube chegou muito perto de alcançar a elite do futebol brasileiro, mas não passou do quadrangular final em 2001 e 2004.

Depois de 29 anos longe da série A, e 10 anos na série B, lutando para voltar à elite do futebol brasileiro, o Avaí finalmente voltou à 1° divisão do futebol brasileiro, conquistou o acesso com três rodadas de antecedência, ao vencer o Brasiliense por 1 gol a 0, no estádio da Ressacada, gol de Evando, aos 81 minutos de jogo. Termina a Série B na terceira colocação.

Estádio

O velho Estádio Adolfo Konder, também conhecido como "Campo da Liga", foi construído bem no centro de Florianópolis e foi inaugurado em 1930. Um campo acanhado, com poucos degraus de arquibancada, mas que muitos jogos e títulos importantes foram nele conquistados.




Os jogos, na época, eram disputados em sua maioria no período da tarde, visto que o estádio não possuía sistema de iluminação. Nessa época, não era de se estranhar a presença de vários funcionários públicos nos jogos. Estes trocavam as repartições pelas arquibancadas do Adolfo Konder.

Nessa tradicional praça desportiva aconteceram momentos históricos, como o jogo contra o Santos, em que Pelé estava presente e o Avaí perdeu por 2 a 1, em 15 de agosto de 1972, e a goleada contra o Paula Ramos de 21 a 3, que é a partida com maior número de gols da história do futebol brasileiro, em 13 de maio de 1945.

Mas ele era, já em 1975, um estádio ultrapassado. Estava localizado na rua Bocaiúva, bem no centro de Florianópolis, em um terreno de apenas 15.000 m², não havendo maneira de ampliar o estádio. Em 1980, o terreno da rua Bocaiúva foi trocado por um terreno de 120.000 m² com um estádio pronto, pelo grupo Kobrassol, que planejava construir um Shopping Center no local, onde atualmente encontra-se o Beiramar Shopping Center.
Finalmente, em novembro de 1983, o "Campo da Liga", encerrou suas atividades com uma partida entre veteranos de Avaí e Figueirense (empate 1 a 1). A partir daí, inicia-se uma nova história de um novo estádio: Aderbal Ramos da Silva, a Ressacada.



Nome Oficial: Estádio Aderbal Ramos da Silva
Nome Popular: Ressacada
Capacidade Atual: 19.000 pessoas
Inauguração: 15 de novembro de 1983
Maior público: 25.735 pagantes (Avaí x Blumenau - 17/07/88)

Então, em 1981, comprou-se o terreno próximo ao Aeroporto. Presidiu a obra Cairo Bueno, planejou o arquiteto Davi Ferreira Lima e trabalharam 20 engenheiros. As sondagens alcançaram 30m de profundidade, as torres de iluminação 43m de altura, com o estádio compreendendo 17.270 m² e o concreto armado com 1.800 m³ de estrutura. O estádio foi inaugurado em 15 de novembro de 1983 e sua iluminação em 31 de maio de 1986. Seu maior público foi de 25.735 pagantes, em 17 de julho de 1988, na final contra o Blumenau.

Hoje, o Estádio Aderbal Ramos da Silva, com capacidade para cerca de 19 mil espectadores, é o mais moderno catarinense e um dos melhores do Brasil, palco de jogos da Seleção Brasileira contra o Equador, em 1987 e contra a Islândia, em 1994. Foi no estádio da Ressacada que aconteceu o último jogo da seleção olímpica brasileira, no Brasil, antes dos Jogos Olímpicos de Atlanta, dia 10 de julho, ganhando de 5x1 contra a Dinamarca.

Títulos

- Campeão Brasileiro da Série C: 1998

- 13 Campeonatos Catarinense de Futebol: 1924, 1926, 1927, 1928 (Tri), 1930, 1942, 1943, 1944, 1945 (Tetra), 1973, 1975, 1988, 1997

- 1 Campeonato Catarinense da 2ª Divisão: 1994

- 2 Taças Governador do Estado de Santa Catarina: 1983, 1985

- 1 Copa Santa Catarina: 1995

Hino

Música: Luiz Henrique Rosa
Letra: Fernando Bastos


Na ilha formosa, cheia de graça.
O time da raça.

É povo é gente,
é bola pra frente,
É só coração
o meu Avaí

Avaí meu Avaí.
Da ilha és o Leão
Avaí meu Avaí.
Tu já nasceste campeão

Não dá para esquecer
o seu belo passado
Mas a hora é presente
e o time vem quente
De encontro marcado
com seus dias de glória
Pois a ordem é vitória
Vencer, vencer.


Mascote

O Avaí também é conhecido como o Leão da Ilha. A mascote do clube representa esta denominação. O símbolo do leão passa a idéia de garra, vontade e força, características que os torcedores apreciam em seus jogadores.

Site

http://www.avai.com.br

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Clube de Regatas Vasco da Gama


O século XIX estava com os dias contados.
Prudente de Morais, o terceiro presidente de nossa República, encerrava o seu mandato. O Rio de Janeiro, Distrito Federal, com pouco mais de 500 mil habitantes, era o lugar preferido de jovens que participavam de saraus e recitavam poesias. Nesse ambiente cultural, o remo era um dos únicos esportes com algum destaque na cidade. Aos domingos, uma pequena e educada multidão se agrupava nos arredores do Passeio Público e da Rua Santa Luzia para ver, nas águas limpas da Baía de Guanabara, competições entre os barcos de clubes e seus remadores.

Nessa época, quatro jovens - Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre d `Avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Souza Júnior - , cansados de viajar a Niterói para remar com barcos do Club Gragoatá, decidiram fundar uma agremiação de remo.

Depois de uma reunião na casa de um deles, à Rua Teófilo Ottoni 90, o número de interessados aumentou, e os encontros foram transferidos para o Clube Recreativo Arcas Comercial (Rua São Pedro). A idéia era conseguir a adesão de caixeiros portugueses, que gostavam de esportes e não tinham dinheiro para o ciclismo, em voga na época.

Chegara a hora da fundação. Com 62 sócios assinando presença, no dia 21 de agosto de 1898, no Clube Dramático Filhos de Talma (Rua da Saúde, 293) nascia um gigante chamado Club de Regatas Vasco da Gama. A reunião foi presidida por Gaspar de Castro, que convidou para secretariá-lo Virgílio Carvalho do Amaral e Henrique Teixeira Alegria.


O REMO, A PRIMEIRA MODALIDADE ESPORTIVA

A aquisição dos barcos era prioridade para o Vasco. Os sócios se cotizaram e, com muito esforço, conseguiram comprar as baleeiras Zoca, Vaidosa e Volúvel, que estavam de acordo com as especificações determinadas pela União de Regatas Fluminense, entidade que regulava os esportes náuticos no Rio.

Em 04 de junho de 1899 o Vasco venceu sua primeira regata, na classe novos, com o barco Volúvel, de seis remos. O páreo, denominado Vasco da Gama, em homenagem ao novo clube, foi vencido com uma guarnição composta pelo patrão Alberto de Castro e os remadores José Lopes de Freitas, José Cunha, José Pereira Buda de Melo, Joaquim de Oliveira Campos, Antônio Frazão Salgueiro e Carlos Batista Rodrigues.

O ano de 1900 foi um marco na histórica rivalidade com o Flamengo. No primeiro páreo da história do remo no Brasil, e que levava o nome do clube da Gávea, a embarcação do Vasco foi a vencedora.

O destino do Vasco sempre foi a vitória. Com empolgados torcedores assistindo às competições no varandim construído por Pereira Passos às margens da Baía de Guanabara, o primeiro título estadual não demorou. E veio em dose dupla, 1905 e 1906. No ano do bi, dia 26 de agosto, os remadores vascaínos deram outro duro golpe no rival, vencendo mais uma vez um páreo com o nome Club de Regatas do Flamengo.

O primeiro tricampeonato do Vasco e da história do remo carioca veio em 1912, 1913 e 1914, com as embarcações Meteoro e Pereira Passos.

1904 - UM DESAFIO AO RACISMO

Os vascaínos elegeram o primeiro presidente não-branco da história dos clubes esportivos em atividade no Rio. Numa época em que o racismo dominava o esporte, Cândido José de Araújo, um mulato que não dispensava a elegância de um cravo branco na lapela, fez uma gestão exemplar, apresentando o Vasco como um clube aberto e sem preconceitos.

1915 - NASCE O FUTEBOL NO VASCO

Com o sucesso no mar, era hora de colocar a bandeira vascaína no topo de outras modalidades esportivas.

Trazido da Inglaterra, o futebol, depois de um começo tímido nos primeiros anos do século, vinha ganhando força e popularidade junto aos cariocas. Em 1913, um combinado português veio ao Rio a convite do Botafogo para disputar alguns amistosos. O relativo fracasso do time na excursão não foi suficiente para aplacar a empolgação da colônia lusa com o esporte bretão. Em pouco tempo, os portugueses radicados no Rio formaram seus clubes para a prática dessa modalidade esportiva: o Centro Esportivo Português, o Lusitano e o Lusitânia. Dos três, o único que conseguiu manter-se foi o Lusitânia, justamente um clube cujo estatuto só autorizava portugueses nos quadros.

A diretoria do Vasco, interessada desde o início da década em formar um time de futebol, vinha tentando seduzir o escrete luso a se fundir ao clube de regatas. O empecilho era a restrição da nacionalidade, pois as regras do Vasco afirmavam a união de irmãos de todas as raças, mas a norma da Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA), que promovia o futebol no Rio, impedia a participação de clubes sem brasileiros em seus quadros. O Lusitânia cedeu e aceitou a fusão.

No dia 26 de novembro de 1915, nascia o futebol do Vasco. Pouco mais de cinco meses depois, no dia 3 de maio de 1916, vestindo uma camisa preta com a Cruz da Ordem de Cristo - equivocadamente chamada de Cruz-de-Malta - à altura do coração, o time do Vasco estreou, no campo do Botafogo, contra o Paladino Futebol Clube, na Terceira Divisão da Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA). O resultado não foi muito animador: goleada de 10 a 1 para os adversários. O gol de honra dos cruzmaltinos, primeiro gol da história do Vasco, foi marcado por Adão Antônio Brandão, um português que viera para o Rio de castigo, pois o pai não perdoava sua falta de gosto pelos estudos.


Adão marcou o 1° gol da história do Vasco.
Nos tempos do amadorismo, Adão marcou época no clube como um atleta polivalente, que se destacava tanto no futebol quanto em outros esportes, como atletismo, remo, natação e pólo aquático. Jogou futebol até 1933, quando o esporte se profissionalizou no então Distrito Federal.

O fracasso nos jogos iniciais não desanimou o time. A primeira vitória surgiu pouco tempo depois, no dia 29 de outubro de 1916: o Vasco venceu a Associação Atlética River São Bento por um magro, porém convincente, marcador de 2 a 1. Os gols que deram a alegria aos vascaínos foram de Alberto Costa Júnior e Cândido Almeida. A partida, disputada no campo do São Cristóvão, na Rua Figueira de Mello, valia pontos para a Terceira Divisão da LMSA. No entanto, o resultado positivo não foi suficiente para melhorar a colocação e o time de São Januário terminou em último lugar.

Em 1917, a LMSA foi reformada e passou a ser denominada Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMTD). O número de participantes em cada Divisão aumentou para dez e os seis clubes da Terceira Divisão - inclusive o Vasco - foram promovidos para a competição da Segunda. No campeonato daquele ano, o Catete ficou com o título, mas o time cruzmaltino começou a mostrar sua força, com nove vitórias em 16 jogos e a quarta colocação no total geral de pontos. No ano seguinte, o título foi conquistado pelo Americano, time da capital, mas o Vasco chegou ainda mais perto, terminando a disputa na terceira colocação.

Em 1919, o Vasco, mesmo com nove vitórias, chegou na quinta posição, deixando o título para o Palmeiras. No ano seguinte, um quarto lugar. No campeonato de 1921, a Liga Metropolitana reordenou as Divisões, separando a Primeira pelas categorias A e B. O Vasco foi conduzido para a B, e os bons resultados não demoraram a aparecer. Os cruzmaltinos chegaram perto mais uma vez, dois postos atrás do time campeão, o Vila Isabel.

1922 - CHEGANDO À PRIMEIRA DIVISÃO DO FUTEBOL

Em 1922 a redenção. O Vasco venceu a Série B em todos os quadros que disputou. Quem esteve no estádio da Rua Morais e Silva, no dia 17 de julho daquele ano, viu o time principal massacrar o Carioca, imputando-lhe um humilhante 8 a 3, e levantar a Taça Constantino, primeira na história do futebol do clube.

A equipe, comandada pelo rigoroso técnico uruguaio Ramón Platero, jogou com Nélson, Mingote e Leitão, Nolasco, Bráulio e Artur, Pascoal, Cardoso Pires, Torterolli, Claudionor e Negrito. O artilheiro foi Claudionor, que marcou quatro gols, seguido de Cardoso Pires, com dois. Pascoal e Torterolli fizeram um cada.

Muito mais do que um título, a goleada deu ao Vasco a chance de que precisava para estar entre os grandes, na Série A da Primeira Divisão, e mostrar seu valor. Com um time cada vez melhor e uma torcida que começava a mostrar sua força nos subúrbios do Rio, seria mais fácil do que se imaginava. Mas, antes, a equipe teria de enfrentar o São Cristóvão, último colocado da Divisão Principal em 22, para ganhar a vaga entre os grandes. Como houve empate sem gols, o Vasco ganhou a almejada promoção e o São Cristóvão não foi rebaixado.

1923 - O PRIMEIRO TÍTULO LOGO NA ESTRÉIA ENTRE OS GRANDES


O 1° time campeão entre os grandes
No ano seguinte, com os cariocas ainda chorando a morte de Ruy Barbosa, o time entrou na disputa pelo título principal do futebol da cidade. O Vasco, um clube desacreditado, vinha de um campeonato em que os oponentes eram times fracos. E enfrentaria os grandes, como Flamengo, Fluminense, Botafogo e América.

Mas um fato despertou curiosidade. Enquanto os times que disputavam a Série A eram formados exclusivamente por jovens da elite carioca, o Vasco chegava ao campeonato recheado de jogadores negros e de operários, todos arrebanhados nos terrenos baldios dos subúrbios cariocas. O técnico Ramón Platero submetia os jogadores a um ritmo alucinante de treinos, fazia-os correr diariamente do campo do Vasco, então na Rua Morais e Silva, na Quinta da Boa Vista, até a Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel. Os demais grandes, apesar de instigados, não notaram a força do time do Vasco.

Depois de um empate em um gol com o Andaraí, em General Severiano, a nau vascaína se aprumou no campeonato e foi esmagando seus adversários, sempre utilizando uma técnica infalível. Como o preparo físico do time era evidentemente superior ao dos outros, Platero fazia seu time levar o primeiro tempo em ritmo lento, para, no segundo, arrasá-los. Todas as 11 vitórias no campeonato foram alcançadas nos últimos 45 minutos.

No fim do primeiro turno, o Vasco já apresentava números assustadores para os adversários: seis vitórias e apenas um empate, na estréia no campeonato. A equipe cruzmaltina seguia seu caminho de sucesso também no segundo turno, quando encontrou pela frente seu já conhecido rival de Regatas, o Flamengo. Na primeira vez na história em que os dois times se enfrentaram, no turno anterior, o Vasco chegara à vitória pelo marcador de 3 a 1. Os camisas pretas - apelido dado aos jogadores vascaínos por causa do uniforme - vinham massacrando seus adversários e o time rubro-negro seria apenas mais um a cair.

Domingo, 8 de julho de 1923. O título Clássico dos Milhões, que mais tarde nomeou o confronto entre os dois rivais, já poderia ter sido inventado naquela tarde, no campo do Fluminense, na então Rua Guanabara.

A Liga Metropolitana, responsável pela organização do campeonato e de olho na grande arrecadação, pos ingressos demais à venda. O resultado foi contado nos jornais da época. " Mais de 35 mil pessoas, sem exagero, encheram as vastas dependências do tricolor", escreveu "O Imparcial". Com todos os espaços reservados ao público preenchidos, muitos torcedores pularam a grade que separava o campo para assistir ao jogo da pista de atletismo. O interesse naquela partida era justificável: os vascaínos vinham vencendo todos os clubes cariocas e o que se viu naquela tarde foi uma reunião de torcedores de todos os times contra os terríveis camisas pretas.

O Flamengo largou na frente e logo depois ampliou a vantagem para 2 a 0. No início do segundo tempo Cecy diminuiu, mas em seguida os rubro-negros ampliaram o marcador. A quatro minutos do fim Arlindo descontou mais uma vez para o Vasco, deixando o marcador em 3 a 2. Na seqüência, houve uma forte pressão dos vascaínos, mas o Flamengo conseguiu sustentar o resultado. O jogo criou uma polêmica histórica. Os cruzmaltinos afirmam, até hoje, ter havido um terceiro gol, mal anulado pelo árbitro. Mas não há qualquer registro desse lance na imprensa carioca.

Resta a dúvida na cabeça de alguns vascaínos: será que, como a torcida que lotava o estádio, os jornalistas também torciam contra os camisas pretas? No entanto, a derrota para o rival não abalou a confiança do Vasco que partiu com tudo para buscar o título.

Bem alimentados pelas refeições que faziam no restaurante Filhos do Céu, na Praça da Bandeira, e bem dispostos, graças ao repouso oferecido no dormitório do Clube, os jogadores cruzmaltinos enfrentaram, a seguir, América, Fluminense e São Cristóvão. Rubros e tricolores caíram na mesma tática das demais vitórias vascaínas e foram liquidados, no segundo tempo, pelo suficiente placar de 2 a 1. Uma vitória sobre o São Cristóvão, na penúltima rodada, daria o título por antecipação aos cruzmaltinos. Por isso mesmo, o adversário partiu para cima e marcou primeiro, ampliando a vantagem logo a seguir. Com 2 a 0 no placar, o público que torcia contra o Vasco acreditava que a parada estava ganha. Contudo, mais uma vez, a estratégia de Ramón Platero funcionou e, na etapa final, o time entrou com mais fôlego e virou a partida para 3 a 2, com um gol de Cecy e dois de Negrito.

Os camisas pretas, no seu ano de estréia na Série A da Primeira Divisão, tornavam-se campeões com todos os méritos possíveis, com o seguinte time base: Nélson, Leitão e Mingote, Nicolino, Claudionor e Artur, Pascoal, Torterolli, Arlindo, Cecy e Negrito.

1923 - O VASCO CRIA O BICHO NO FUTEBOL

Nesse campeonato o Vasco instituiu uma forma criativa de pagamento aos seus jogadores. Nos mercados de secos e molhados da Saúde e da Rua do Russel, os portugueses tinham o hábito de apostar nas vitórias do Vasco.

Como quase sempre venciam, decidiram dividir o lucro com os jogadores. Contudo, os atletas não poderiam receber em dinheiro, já que eram amadores. Criou-se, então, uma tabela que rendia uma premiação de animal, de acordo com a importância do adversário que o Vasco vencia. O América, o campeão em 22, valia uma vaca com quatro pernas. O Flamengo, bicampeão em 20/21 era merecedor de uma vaca com três pernas. Uma vitória sobre o tricolor carioca era trocada por duas ovelhas e um porco. Vencer o Botafogo e outros times também rendiam algum animal, sempre de galo para cima.

Estava então criado o bicho, um tipo de premiação por bom resultado em um jogo e que viraria uma instituição no futebol brasileiro.

1924 - UMA RESISTÊNCIA À DISCRIMINAÇÃO RACIAL E SOCIAL

Enquanto na política o líder era o presidente Arthur Bernardes, no futebol a equipe vascaína vencia quase todas as partidas que disputava e também as competições. Depois de atropelar os adversários no ano anterior, em 1924 o Vasco já era o inimigo número 1 das demais torcidas cariocas. Um rival a ser batido, de qualquer maneira.

E já que era difícil batê-lo em campo, os dirigentes dos clubes rivais resolveram investigar as posições profissionais e sociais dos camisas pretas, pois o futebol ainda era amador e jogador não podia receber pela prática do esporte. Um verdadeiro golpe para tirar o Vasco das disputas.

Entretanto, os vascaínos driblaram com categoria as leis da Liga Metropolitana ao registrarem seus craques como empregados de estabelecimentos comerciais dos portugueses.

Não satisfeitos, os membros da sindicância da entidade resolveram fiscalizar a veracidade das informações. O tricolor Reis Carneiro, o rubro Armando de Paula Freitas e o rubro-negro Diocésano Ferreira se cansaram de bater às portas das firmas lusitanas e ouvir que os jogadores, ou melhor, funcionários, estavam realizando serviços externos.

A fiscalização das profissões dos jogadores era, na realidade, ilegítima. Por baixo dos panos, muitos atletas dos grandes clubes cariocas já recebiam para jogar. O que de fato incomodava os adversários era a origem daqueles jogadores: um time formado por negros, mulatos e operários, arrebanhados nas áreas pobres da cidade do Rio de Janeiro. E, ainda por cima, com o troféu nas mãos.

Depois de esgotadas todas as possibilidades de retirar o Vasco da disputa, pelo regulamento da Liga Metropolitana, os adversários apelaram para a criação de uma nova entidade, a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Aceitaram a inscrição de todos os grandes e, é claro, recusaram a dos vascaínos. Com um argumento nada convincente. Segundo os dirigentes adversários, o time cruzmaltino era formado por atletas de profissão duvidosa e o clube não contava com um estádio em boas condições.

Realmente, o campo da Rua Morais e Silva não tinha a estrutura que o Vasco merecia, mas não era esse o problema. Isso ficou claro na proposta feita pela AMEA, excluir 12 de seus jogadores da competição, justamente os negros e operários. O Vasco recusou a proposta por uma carta histórica de José Augusto Prestes, então presidente cruzmaltino, ao presidente da AMEA, Arnaldo Guinle:

"Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo seus atletas. "São 12 jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de suas carreiras. Um ato público que os maculasse nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias". E finalizou, decidindo não entrar na nova entidade: "Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da Amea".

Sem um campo em condições e vítima do racismo de seus adversários, restou ao Vasco disputar, com outros 21 times de menor expressão o campeonato da abandonada Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Dezesseis vitórias depois, sem nenhum empate ou derrota, os camisas pretas levantavam o bicampeonato sem dificuldades. No triangular final, no campo do Andaraí, o Vasco goleou por 5 x 0 o Engenho de Dentro e passou sem dificuldades pelo Bonsucesso, com uma vitória simples. O time-base era quase uma repetição do ano anterior, com apenas duas substituições: Nicolino por Brilhante e Arlindo por Russinho. Ramón Platero permanecia firme no comando.

No ano seguinte, graças à intervenção de Carlito Rocha, dirigente do Botafogo e árbitro da polêmica partida contra o Flamengo, em 1923, o Vasco foi admitido na Amea. O Clube mandava seus jogos no campo do Andaraí, onde é hoje o Shopping Iguatemi, mas seus dirigentes já se movimentavam para construir um belo estádio de futebol. E, por tabela, dar uma lição naqueles que um dia afastaram os camisas pretas da disputa com os grandes.

1927 - SURGE SÃO JANUÁRIO, O GIGANTE DA COLINA


O Estádio de São Januário
Diante de tanta discriminação, o Vasco iniciou uma campanha histórica de arrecadação de fundos entre associados e simpatizantes para a construção de um estádio à altura da grandeza do Clube. Na volta à Divisão dos principais times do Rio, em 1925, o Vasco fez boa campanha, 13 vitórias, três empates e duas derrotas, terminando em terceiro lugar. Em 1926, os camisas pretas chegaram ao vice-campeonato, ao vencerem 14 das 18 partidas disputadas.

Mas os vascaínos estavam muito mais preocupados em realizar o sonho de um estádio do que com o Campeonato Carioca. O tempo provaria que eles estavam certos, nos anos seguintes à inauguração de São Januário, o Vasco construiria um império respeitável de títulos e ganharia projeção internacional.

Em pouco tempo, as contribuições de torcedores e simpatizantes somavam 685 contos e 895 mil réis. O dinheiro era suficiente para a aquisição de uma enorme área em São Cristóvão. Com o terreno comprado, o próximo passo seria ainda mais difícil: arrecadar aproximadamente dois mil contos de réis para a construção do estádio. Outra vez, a força do povo falou mais alto e, em pouco mais de um ano, as obras se iniciavam.

Durante a construção surgiu uma pedra no caminho do Vasco. O presidente da República, Washington Luís, se negou a autorizar a importação de cimento belga - já utilizado na construção do Jockey Club -, mesmo sabendo que o país ainda não dispunha do produto para obras dessa grandeza. Os construtores, então, acharam uma solução criativa, na mistura de cimento, areia e pedra britada.

São Januário se tornaria não apenas um belo estádio, mas um marco na história da construção civil do país. Dez meses depois de lançada a pedra fundamental, o Estádio de São Januário era inaugurado em 21 de abril de 1927, com a presença de Washington Luís que, pouco tempo antes, havia dificultado a construção.

Era dia de festa e a parida inaugural do estádio. O time da casa recebeu o Santos, grande potência do futebol paulista àquela época, e foi derrotado por 5x3. O resultado negativo pouco importou. O que ficou foi a nova realidade do clube.

Até o ano de 1941, quando foi inaugurado o Pacaembu, em São Paulo, São Januário reinou absoluto por 14 anos como o maior e melhor estádio do Brasil.

JOGADOR VASCAÍNO MARCOU O 1º GOL OLÍMPICO NO BRASIL

Em março de 1928, o Vasco inaugurou os refletores e a arquibancada atrás de um dos gols, em amistoso contra o time uruguaio Wanderers. O Vasco venceu por 1x0, com um gol feito de cobrança de córner feita por Santana, entrando direto no gol uruguaio. Não há notícia anterior de um gol olímpico no Brasil. A jogada aconteceu pela primeira vez num duelo entre Uruguai e Argentina.

SURGE O GRITO DE GUERRA CASACA

Conta o benemérito vascaíno Francisco Rainho que, a essa época, o negociante João de Lucas, um vascaíno apaixonado, que mais tarde fundaria a Torcida Organizada do Vasco (TOV), costumava comemorar as vitórias de forma criativa. Como o Vasco reunia torcedores das mais diversas classes sociais, entre seus amigos de clube estavam membros da elite carioca, com suas casacas impecáveis. Para reverenciar esses senhores, João criou um refrão que se tornaria o grito de guerra do clube:

CASACA, CASACA, CASA-CASA-CASACA!
A TURMA É BOA É MESMO DA FUZARCA
VASCO! VASCO! VASCO!

1931 - PRIMEIRO CARIOCA NO EXTERIOR

Em 1931, o Vasco chegou ainda mais perto do título carioca. Na última rodada, com um ponto de vantagem sobre o América, o time cruzmaltino perdeu por 3x0 do Botafogo, enquanto o América vencia por 3x1 o Bonsucesso e garantia mais uma taça.

Neste campeonato, os vascaínos impuseram a maior goleada da história no rival rubro-negro, com um humilhante placar de 7x0. Só que não foi esse o fato mais marcante do ano em São Januário: o Vasco se tornou o segundo clube brasileiro - o Paulistano, de São Paulo, abriu as portas - e o primeiro carioca a ser convidado para uma excursão à Europa, mais precisamente a Portugal e Espanha.

Para reforçar a equipe, os dirigentes convidaram Nilo, Carvalho Leite e Benedito (Botafogo) e Fernando (Fluminense). Em 12 partidas, o Vasco venceu oito, empatou uma e perdeu três. Marcou 45 gols e sofreu apenas 18.

As conseqüências do sucesso vieram logo em seguida: os jogadores Fausto e Jaguaré foram contratados pelo Barcelona, um dos times que sofreram com a técnica dos camisas pretas.

1935 - NASCE O CLÁSSICO DA PAZ

Por causa de uma briga com o Flamengo, originada no remo, o Vasco abandonou a Liga e criou, com o Botafogo, a Federação Metropolitana de Desportos (FMD) filiada à CBD. Em 1935 o Vasco ficou com o terceiro lugar. No entanto, os camisas pretas ganharam novamente em 1936. O único time que fez frente foi o Madureira, em três partidas finais.

A reconciliação no futebol carioca aconteceu em 1937, graças à iniciativa dos presidentes de Vasco e América, respectivamente Pedro Pereira Novaes e Pedro Magalhães Corrêa, no dia 29 de julho foi criada a Liga de Football do Rio de Janeiro, unificando todos os médios e grandes clubes cariocas. Para comemorar a vitória fora de campo, os dois times s enfrentaram em São Januário, no dia 31 do mesmo mês, em partida de renda recorde na cidade. Desde então, o jogo entre os dois clubes ganhou o apelido de Clássico da Paz.

1945 - SURGE A FAIXA DIAGONAL


O Ataque de 45
O Vasco buscou os reforços de Augusto (São Cristóvão), Eli (Canto do Rio), Danilo (América), Ademir (Sport Recife), além de Lelé, Isaías e Jair (todos do Madureira). Com esses nomes, os cruzmaltinos montavam a base de um time que marcaria história no Vasco da Gama, no Brasil e no mundo.

A primeira providência de Ondino Vieira foi trocar as camisas da equipe. Com passagem anterior pelo River Plate, o técnico se inspirou no uniforme do time argentino e adotou uma faixa diagonal branca na camisa de cor preta. E, para os dias mais quentes, criou o modelo branco, que absorve menos calor, com a faixa preta. Era o fim dos camisas pretas e o início do Expresso da Vitória.

1947 - O EXPRESSO DA VITÓRIA

O Vasco vinha com um ataque de espantar qualquer defesa, Djalma, Maneca, Friaça (Dimas), Lelé (Ismael) e Chico. No comando da equipe, Flávio Costa, tricampeão (1942/43/44) pelo Flamengo substituía Ernesto dos Santos, que fracassara no ano anterior.

Depois de vencer com facilidade o torneio Estadual, marcando 40 gols em apenas dez jogos, o time continuou atropelando seus adversários no Carioca, estufando as redes 68 vezes em 20 partidas. No primeiro turno desse campeonato, o Vasco ganhou do Canto do Rio por 14x1, impondo a maior goleada da fase profissional do futebol carioca. O adversário ainda tentou evitar o vexame substituindo o goleiro no intervalo quando o jogo estava 5x0. Antes tivesse deixado o infeliz em campo.

No jogo mais difícil contra o Botafogo de Heleno de Freitas, um empate sem gols garantiu o título ao Vasco. O Expresso terminou o campeonato invicto, com sete pontos à frente do alvinegro.

1948 - VASCO CONQUISTA PRIMEIRO TÍTULO INTERNACIONAL PARA O BRASIL

Com a volta de Ademir ao time, um título muito especial estava reservado para o ano de 1948. O Vasco, como campeão do Distrito Federal de 1947, foi convidado pelo Colo Colo para disputar o Torneio dos Campeões Sul-Amaericanos, no Chile. Jogando contra grandes times de sete países do continente, em turno único, todos contra todos e contando pontos corridos, os cruzmaltinos não deram chances aos adversários e trouxeram o caneco para casa de forma invicta.

A conquista começou a ser desenhada na segunda partida, em que o Vasco aplicou um irreparável 4x0 no temido Nacional, do Uruguai, do artilheiro Atílio Garcia. Pintou em cores vivas quando a equipe de São Januário arrancou um empate em 1x1 com o time da casa. E virou realidade no heróico 0x0 contra o River Plate de Di Stéfano que marcara 27 gols no campeonato argentino daquele ano. Nesse jogo, que entrou para a história do Vasco, Barbosa pegou um pênalti e o árbitro anulou um gol do Vasco.

Esta conquista representou o primeiro título internacional do futebol brasileiro, seja de clube ou seleções, o que reforça o pioneirismo do Clube de São Januário.

1949 - RECORDE DE GOLS, MAIS UM CAMPEONATO INVICTO

Em 1949 o Vasco contou com a presença de Heleno de Freitas no comando do ataque. Se o time já havia assustado as defesas adversárias com goleadas históricas, nesse ano os goleiros perderiam a conta do número de vezes que buscariam a bola no fundo da rede. Foram 84 gols em apenas 20 jogos, um recorde. E mais um título invicto, ainda sob o comando de Flávio Costa.

O rival Flamengo, que desde 44 não ganhava do Vasco, voltou a sofrer com o Expresso. Os rubro-negros chegaram a fazer 2x0 no placar, em plena Gávea. Eufóricos, os flamenguistas davam como certa a vitória. No fim da partida, o placar anunciava 5x2 para os cruzmaltinos, para desespero do adversário.

1950 - A BASE DA SELEÇÃO, QUASE CAMPEÃ MUNDIAL DE 1950

O Brasil de 1950 com exibições de gala, mas por motivos políticos e da velha rivalidade Rio x São Paulo acabou perdendo o seu primeiro mundial em pleno Maracanã. A base da seleção brasileira era a equipe do Vasco, disparada a melhor do Brasil, com cinco jogadores em campo: Barbosa, Augusto, Danilo, Chico e o artilheiro da Copa do Mundo, o grande ídolo Ademir.

1950 -O EXPRESSO DA VITÓRIA E DAS GOLEADAS HISTÓRICAS


O Expresso da Vitória
No primeiro Campeonato realizado no Maracanã, o Vasco voltou ao hábito de marcar muitos gols. Logo no jogo de estréia, o São Cristóvão sentiu o sabor amargo de ser goleado: 6x0. Depois, os vascaínos, ainda atropelaram o Madureira (9x1), o Canto do Rio (7x0), o Bonsucesso (7x2) e o Fluminense (4x0) que no turno anterior havia derrotado o Vasco por 2x1. O último jogo foi contra o América, outro que derrotara o Vasco no turno. O Vasco venceu (2x1) e levou mais um título para São Januário.

A denominação Expresso da Vitória surgiu num programa esportivo e musical da Rádio Nacional, que contava com a participação de Lamartine Babo, entre outros. Lá pelas tantas, um cantor, ao se apresentar, disse que dedicaria a música ao Vasco, o Expresso da Vitória, um time que atropelava os adversários em campo. Quem contou essa história foi Ademir, em entrevista à "Folha do Esporte". O nome escolhido pelo cantor para homenagear a maior locomotiva de gols da história do Vasco não poderia ter sido mais oportuno. Com o fim do Expresso era a hora da renovação.

1953 - A RENOVAÇÃO

Em 1953, Vavá, Bellini, Sabará e outros jogadores de talento e força foram incorporados definitivamente ao time principal. O ano começou bem para o Vasco. No Quadrangular Internacional do Rio, disputado no Maracanã com Boca Juniors e Racing, ambos da Argentina, e Flamengo, os cruzmaltinos levaram o título com dois empates com os argentinos e mais uma goleada de 5x2 nos rubro-negros. Em seguida, foi para o Chile disputar o Torneio Internacional de Santiago. Venceu o colombiano Milionários e, mais uma vez, o Colo Colo, pelo suficiente placar de 2x1, sagrando-se campeão.

1958 - O PIONEIRISMO DO VASCO, MAIS UMA VEZ, NO GESTO DE BELLINI

Em 1958, ano de Copa do Mundo, o Vasco cedeu Bellini, Orlando e Vavá para ajudar a Seleção Brasileira a conquistar seu primeiro título de campeã. A competição foi na Suécia e a final, com os donos da casa. Após 90 minutos, Brasil 5x2, com dois gols de Pelé, um de Zagallo e dois de Vavá. Coube ao capitão da seleção, o nosso Bellini, erguer com as duas mãos e sobre a cabeça, a Taça Jules Rimet. Um gesto que se tornou famoso e depois acabou sendo copiado por todos os capitães cujas seleções já foram campeãs do mundo.

1958 - O SUPER-SUPERCAMPEONATO

O título do Brasil tornou o Carioca de 1958 especial. Com excelentes jogadores, o Vasco vendeu o campeão mundial Vavá para o Atlético de Madrid. Mas nem assim caiu de produção: os substitutos, como esperavam dirigentes, comissão técnica e torcedores, deram conta do recado. Ao final de dois turnos, Vasco, Flamengo e Botafogo estavam com o mesmo número de pontos ganhos. Foi realizado, então, um supercampeonato, em turno único, com os três jogando entre si. Depois de derrotar o Flamengo por 2 a 0, o Vasco perdeu do Botafogo, provocando um novo empate entre os três.

A saída foi disputar o Super-supercampeonato. Uma vitória por 2 a 1 sobre os alvinegros e um empate em 1 a 1 com os rubro-negros garantiu o tão sofrido e valorizado título para o time de São Januário.

1965 - TROFÉU QUARTO CENTENÁRIO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Dentro da inexpressiva década vascaína de 1960, o ano de 1965 talvez tenha sido um dos mais significativos para o time de São Januário. Em comemoração ao quarto centenário da Cidade do Rio de Janeiro, foi organizado um grande torneio contando com o Vasco, Flamengo e Seleção da Alemanha Oriental. O Vasco venceu o Flamengo e a seleção alemã, conquistando, de forma sensacional o título de Campeão do Troféu Quarto Centenário.

1974 - O PRIMEIRO TÍTULO DE CAMPEÃO BRASILEIRO


Jorginho Carvoeiro marca o gol do título.
A decisão, marcada anteriormente para o Mineirão, foi transferida para o Maracanã, pois no jogo anterior dirigentes do Cruzeiro, alegando um pênalti não marcado a favor da equipe mineira, invadiram o campo. Resultado, perderam o mando de campo e o jogo foi transferido para o Rio. O Cruzeiro de Piazza e Palhinha começou assustando, mas não demorou e o vascaíno Ademir estufou as redes. Na etapa final, Nelinho, chutando de longe, fez 1 a 1.

A agonia somente acabou aos 36 minutos, quando Alcir lançou Jorginho Carvoeiro que dividiu com o goleiro Victor e fez o gol do título. Dessa forma, com o seu pioneirismo, o Vasco carimbava mais uma página da história sagrando-se o primeiro Clube do Rio a ser Campeão Brasileiro.

1987/88 - O BICAMPEONATO CARIOCA

Em 1987 o país chora a morte do poeta Carlos Drumond de Andrade, entretanto, ao menos a alegria do futebol estava garantida pela dupla Roberto Dinamite e Romário. A equipe vascaína fez ótima Taça Guanabara chegando à decisão dom o Flamengo e precisando apenas de um empate. Atuou garantindo o 0x0 Após o vice da Tara Rio, o Vasco disputou o a final em um triangular com o Bangu e o Flamengo.

O time de Moça Bonita foi goleado por 4x0. Era a hora de acertar as contas com o Flamengo, não deu outra com uma exibição de gala, um passe sensacional de Roberto Dinamite, em uma das jogadas de maior beleza plástica que o Maracanã já viu, a bola veio limpa para Tita, ex-jogador do Flamengo, que mandou um balaço para as redes adversárias fechando o caixão do Flamengo. Melhor revanche, impossível. Vasco Campeão Carioca de 1987.

No Estadual de 1988, após o vice-campeonato da Taça Guanabara, o Vasco voltou a mostrar sua força e venceu a Taça Rio. Neste Estadual o Vasco iniciou uma série de vitórias em cima do Flamengo, chegando a fazer a quina, ao vencer cinco jogos consecutivos. A primeira (1x0) foi ainda na Taça Rio, gol do apoiador Henrique. Em seguida, já no terceiro turno, depois de vencer o Americano e empatar com o Fluminense, o Vasco ganhou do Flamengo por 3x1, com dois gols de Sorato e um de Vivinho.

Com esse resultado a equipe de São Januário jogaria a final em duas partidas com os rubro-negros, podendo até alcançar a quarta em razão do número de pontos necessários. No primeiro jogo da final, Vasco 2x1, gols de Bismarck e Romário. Na partida decisiva, por precisar somente do empate, o Vasco jogou recuado. Faltando cinco minutos para o fim do jogo, o técnico Sebastião Lazaroni tirou Vivinho e colocou em campo o Cocada. Logo após entrar o lateral direito deu um corte no zagueiro Edinho e fuzilou da entrada da área marcando o gol do título e entrando para a história do Clube.

1989 - O BICAMPEONATO BRASILEIRO

Em 1989, com a venda de jogadores para o exterior, o Vascão arrecadou dinheiro para montar um supertime. Bebeto foi tirado do Flamengo numa grande jogada dos dirigentes vascaínos, após um desentendimento entre o clube rival e o jogador. Para completar o elenco chegaram Luís Carlos Winck, Boiadeiro, entre outros.

Em excursão à França o Vasco derrotou a equipe francesa do Metz e o time iugoslavo Estrela Vermelha, ganhando o Torneio de Metz. Em seguida o time cruzmaltino chegou ao tri do Ramon de Carranza, derrotando o espanhol Atlético de Madri e o uruguaio Nacional. Era a hora de mais um Brasileiro. Mesmo com um ótimo elenco o Vasco demorou a engrenar no campeonato.

O time alternava partidas brilhantes com outras apenas razoáveis e o craque Bebeto era vítima de sucessivas lesões. O título de favorito já estava começando a cair por terra e quando ninguém mais acreditava o Vasco reagiu nas partidas, justamente, mais difíceis. Venceu o Corinthians, em São Paulo, e o Internacional, em Porto Alegre. Com a virada, foi à final com um ponto de vantagem sobre o São Paulo, o que lhe bastava uma vitória para sagrar-se Campeão.

O técnico Nelsinho reuniu o elenco e todos concordaram em jogar a primeira fora de casa. Caso perdessem, fariam a final no Maracanã. No jogo do Morumbi o Vasco usou a estratégia de deixar o São Paulo vir para cima e explorar os contra-ataques em alta velocidade. Aos cinco minutos da etapa final, após cruzamento de Winck, Sorato cabeceou com violência no canto direito do goleiro Gilmar, marcando o gol do título. O goleiro Acácio, em tarde inspiradíssima, fez defesas magistrais. O Vasco ganhava o seu título de bicampeão Brasileiro.

1992/93/94 - O TRICAMPEONATO ESTADUAL

Com o Maracanã interditado para obras, depois do grave acidente na final do Brasileiro de 1991, o Estádio de São Januário serviu de palco para os grandes jogos do Rio.

Foi um título invicto, após vencer os dois turnos disputados, sem a necessidade de final. A equipe garantiu a conquista com uma vitória por 1x0, gol de Valdir contra o Bangu.

No último jogo da competição, um empate com o Flamengo em 1x1 serviu de pano de fundo para um momento de emoção para os torcedores do Vasco, Roberto fazia sua despedida dos campos em jogos do Carioca. Maior goleador do clube em todos os tempos, foram 698 gols em 1.110 jogos com a camisa cruzmaltina. Dinamite saiu dos campos com a mesma simplicidade que o fez alcançar o sucesso.

Em 1993, depois de ser vice na Taça Guanabara o Vasco recuperou-se, venceu a Taça Rio e ganhou o direito de disputar as finais. Depois de uma vitória para cada lado, o Vasco jogou para segurar o empate contra o Fluminense e saiu de campo com o título de bicampeão estadual.

O ano de 1994 foi marcado pela passagem relâmpago de Dener por São Januário. Jogador em que os vascaínos depositavam muita esperança, ela acabou tendo carreira curta. Morreu, tragicamente num acidente automobilístico na Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio. O craque fez apenas 12 jogos e três gols, mas encantou os torcedores com o seu talento. Entretanto, não foi um ano só de tristezas, principalmente para a equipe vascaína, pois a conquista da Taça Guanabara com um humilhante 4x1 em cima do Fluminense foi apenas um bom prenúncio.

No jogo final contra o tricolor das Laranjeiras Jardel fez 2x0 e garantiu o título "Tri, Tri, o Vasco é Tri! Cantou eufórica a torcida vascaína em todo o Brasil.

1997 - O TRICAMPEONATO BRASILEIRO

Poucos torcedores vascaínos poderiam imaginar o espetáculo a que assistiriam em 1997. Edmundo, após passagens apagadas por Flamengo e Corinthians, estava na equipe. Mauro Galvão, que tinha contra si a idade avançada foi chamado para comandar a defesa. Evair, com o aval de Edmundo, chegou para formar a dupla de ataque com o craque. Até aí nada demais, só que Lopes resolveu mesclar esses jogadores com jovens formados no clube ou que já atuavam pelo Vasco.

Edmundo estabeleceu o novo recorde de gols em uma partida pelo campeonato brasileiro, assinalando seis gols na equipe do São João. Neste mesmo campeonato ele quebraria com seus 29 tentos o recorde de gols em campeonatos brasileiros.

Domingo de final, 21 de dezembro de 1997, noventa mil vascaínos se aglomeravam no Maracanã para ver o time enfrentar o Palmeiras e se sagrar tricampeão brasileiro. Um empate seria o suficiente. Depois do 0x0, o Vasco levantou o seu terceiro título Brasileiro.

1998 - O TÍTULO ESTADUAL DO CENTENÁRIO

Ano do Centenário, cem anos de glórias. A equipe perdeu Edmundo para a Fiorentina, Evair para a Portuguesa, mas trouxe Luizão que estava no La Coruña e Donizete, que jogava pelo Corinthians. As demais equipes chamadas grandes, como o Flamengo, Fluminense e Botafogo, em mais um ato espúrio no esporte brasileiro, desrespeitando o centenário do Vasco tumultuaram o campeonato, tentaram tirar o brilho, mas não adiantou, mesmo com WxO e outros recursos anti-esportivos, o Vasco foi campeão por antecipação jogando contra o Bangu em Moça Bonita.

Para sacramentar o ídolo que sempre foi, nada mais nada menos do que Mauro Galvão o autor do gol do título, já nos descontos de uma partida complicada que parecia caminhar para o 0x0. Ao contrário da torcida do seu maior rival, no ano do Centenário do Clube os vascaínos soltaram o grito: É Campeão!!!

1998 - O BICAMPEONATO SUL-AMERICANO NA LIBERTADORES

Depois de passar pelos mexicanos Chivas e América e por Grêmio e Cruzeiro, o adversário do Vasco nas semifinais seria o temido River Plate, que no ano anterior havia vencido até em São Januário pela Supercopa.

No Rio o gol de Donizete pareceu insuficiente para agüentar a pressão na Argentina. Em Buenos Aires o Vasco foi subestimado pelo técnico do River Plate, Ramón Díaz, que disse: "O Vasco não é grande coisa".

Com mais de 50 mil torcedores lotando o Monumental de Nuñez, o River vencia por 1x0 até os últimos minutos, quando Juninho em cobrança de falta magistral estabeleceu o empate e garantiu a vaga às finais da Libertadores. Para o primeiro jogo contra o Barcelona de Guaiaquil, o outro finalista, São Januário foi o estádio escolhido. Não sobrou nenhum dos 34 mil ingressos postos à venda.

Com gols de Donizete e Luizão, na vitória por 2x0, o Vasco partiu em busca do título. No Equador o time encontrou clima tenso, de guerra, com paus e pedras lançados da arquibancada. A pressão não foi suficiente para deter o Vasco. Luizão e Donizete, novamente, fizeram 2x0, o Barcelona diminuiu mas o Vasco sagrou-se Campeão da Taça Libertadores de 1998 e Bicampeão Sul-Americano de Futebol (1948 e 1998).

2000 - O TRICAMPEONATO SUL-AMERICANO - MERCOSUL

Uma conquista para ficar guardada na memória do torcedor vascaíno por muitos e muitos anos. Nem o mais esperançoso poderia imaginar que a equipe, comandada pelo astro Romário, em pleno Parque Antártica, poderia reverter um placar de 3x0, para 4x3, e sair de São Paulo com o título da Copa Mercosul. Mais uma vez o Vasco mostrou porque é o time da virada.

Mas quem acompanhou o início da competição sul-americana não poderia prever que o Vasco seria o campeão. Isso porque a equipe teve um início muito ruim e só conseguiu a classificação para a segunda fase graças a uma combinação de resultados.

Nas quartas-de-final, a equipe enfrentou o Rosário Central, da Argentina. No jogo de ida, em São Januário, vitória magra por 1x0, com gol de Juninho Paulista.

Na volta, em Rosário, um simples empate bastava para a equipe brasileira seguir em frente. Um gol do adversário já nos descontos levou a decisão para os pênaltis. E lá estava o jovem Hélton, que garantiu a vaga ao defender uma cobrança. Passado este sufoco, o Vasco foi para a semifinal enfrentar outra equipe argentina. Desta vez, o adversário era o River Plate. Só que o temor foi para o espaço no jogo de ida, em Buenos Aires. Uma goleada fantástica, por 4x1, calou a boca de todos.

Na volta, com a passagem para a final carimbada, o Vasco venceu por 1x0, só para mostrar que o massacre na Argentina não fora por acaso. Veio então a grande final contra o Palmeiras. A turma do arco-íris já dizia que o Vasco seria novamente vice.

No primeiro jogo, em São Januário, vitória por 2x0. Um simples empate na segunda partida bastaria para dar a volta olímpica. Porém a derrota por 1x0 em São Paulo levou a decisão para o terceiro e decisivo jogo. Aí, todos já sabem o que aconteceu...

Vasco Campeão da Copa Mercosul, na vitória de 4x3, a maior virada que se tem registro na história do futebol em uma decisão de campeonato.
VASCO, TRICAMPEÃO SUL-AMERICANO DE FUTEBOL!

2000 - O TETRACAMPEONATO BRASILEIRO

Mais uma final de campeonato. Mais uma chance de conquistar um título, o último do milênio. Mais um grito de campeão. Mas antes de tudo isso, os torcedores teriam que sofrer um pouco mais, vendo o Vasco superar o humilde São Caetano, zebra da competição.

De humilde e zebra, o Azulão do interior paulista não tinha nada. O outrora desconhecido Adhemar liderou o São Caetano, despachando três grandes do futebol brasileiro. Mas a vantagem de decidir a segunda partida em casa era do Vasco. Era a segunda decisão do técnico Joel Santana em menos de um mês.

A nau vascaína tinha o quarteto formado pelos Juninhos, Euller e o vice-artilheiro da competição, Romário, com 18 gols, além da segurança de Helton. Só isso bastava.

No primeiro jogo, em São Paulo, o time de São Januário deu muito espaço ao Azulão e acabou levando o primeiro. Entrou em cena a estrela de Romário, que empatou a partida em lance de puro oportunismo, dando ao Vasco a vantagem de jogar pelo empate em 0x0.

No dia 30 de dezembro de 2000, data da segunda e decisiva partida, houve um infeliz acidente com o alambrado de São Januário. Depois de muita discussão a nova e decisiva partida foi marcada para o dia 18 de janeiro, no Maracanã.

Com o Maracanã tomado pelos vascaínos a equipe sagrou-se Campeã, mais uma vez, conquistando o Tetracampeonato Brasileiro ao abater a equipe do São Caetano pelo placar de 3x1.

DE 2001 A 2007

O novo século parecia trazer ainda mais conquistas para o Vasco. O título Brasileiro de 2000 foi decidido apenas em janeiro de 2001 e o Vasco sagrou-se tetracampeão nacional. No entanto, a força que o clube demonstrou nas temporadas anteriores com a montagem de um amplo projeto olímpico, além da pujança no futebol, passou a incomodar, especialmente àqueles que jamais se conformaram com o sucesso de uma administração tradicional.

Alguns setores se uniram no projeto de inviabilizar a nossa instituição sufocando-a financeiramente. Em 2001 e 2002 o Vasco ficou sem receber cotas referentes ao direito de transmissão da televisão. Além disso, notícias falsas dando conta de que o Vasco rumava para a insolvência foram espalhadas pelo mercado, dificultando negociações com potenciais patrocinadores.

Como se tornou comum ao longo de nossa história, resistimos para que pudéssemos nos manter vivos. Sem abrir mão do seu estilo administrativo, o Vasco renegociou suas dívidas, quitou débitos fiscais e celebrou um acordo em relação às cotas de TV que permitiram um desafogo nas dificuldades de financiamento dos projetos do clube.

A possibilidade de voltar a respirar foi imediatamente traduzida em mais um título Estadual, conquistado em 2003. Para chegar lá, o Vasco levantou a Taça Guanabara diante do Flamengo. Posteriormente, numa decisão contra o Fluminense (que conquistou o segundo turno), venceu o adversário nas duas partidas finalíssimas, por 2x0 e 2x1.

Mesmo lutando contra os obstáculos oferecidos de fora para dentro da administração, intento que continuou sendo levado à cabo por desafetos, o Vasco ampliou seu patrimônio e construiu um amplo projeto social para beneficiar muitos de seus atletas.

No campo patrimonial, merecem destaque o arrendamento do Vasco Barra, centro de treinamento de primeiro mundo situado em uma das zonas nobres da cidade do Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca, a construção do Centro de Treinamento Almirante Heleno Nunes, na Rodovia Rio-Petrópolis, que contemplará as categorias de base (inaugurado em 20/08/2006), a ampliação do complexo desportivo de São Januário, com a anexação de um quarteirão inteiro, e a edificação de um hotel dentro das dependências do clube para a concentração dos jogadores antes dos jogos.

No vértice social, além da manutenção de uma equipe multidisciplinar (médicos, dentistas, fisiologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos) acompanhando todos os atletas, o clube passou a distribuir centenas de refeições por dia e a manter em alojamentos próprios jovens oriundos de outros estados brasileiros ou cidades fluminenses. E, no mais notável projeto desenvolvido por qualquer grande clube brasileiro, celebrou uma parceria com o grupo educacional Faria Brito, a partir do ano de 2004, a fim de manter um colégio de primeiro e segundo graus, permitindo aos atletas o encurtamento da distância entre estudo e prática desportiva.

Para financiar novos projetos, o Vasco iniciou 2007 buscando o mercado através do seu Departamento de Marketing. Um dos sonhos da diretoria reeleita para mais um mandato é reconduzir o clube à principal competição sul-americana, a Taça Libertadores da América, primeiro degrau para o plano de chegar a mais uma disputa de título mundial, que esteve muito próximo no final dos anos 90.

Em 2008, após um desastroso campeonato brasileiro, é rebaixado para Série B em 2009, deixando de participar da primeira divisão pela primeira vez.

UNIFORME

A primeira camisa do Vasco, ainda na época do Remo, era parecida com a atual: preta, com uma faixa diagonal branca e a Cruz de Malta no centro. No entanto, a faixa diagonal partia do ombro direito, ao contrário do que acontece hoje.

Por influência do Lusitânia (clube que se fundiu com o Vasco em 1915 dando início ao seu Departamento de Futebol), a primeira camisa do Futebol era preta, tinha a gola e os punhos brancos e sem a faixa diagonal. Porém, a Cruz de Malta havia sido deslocada para o lado esquerdo do peito, junto ao coração.

Nos anos 30, o uniforme principal do futebol foi modificado: a faixa diagonal branca reapareceu, só que dessa vez partindo do ombro esquerdo. A Cruz de Malta continuou no mesmo lugar.

Em 1945, por sugestão do treinador Ondino Viera (que se inspirara na camisa do River Plate), o Vasco adotou a camisa branca, com a faixa diagonal preta, como uniforme número 2.

A última grande modificação na camisa foi feita em 1988, com a supressão da faixa nas costas. A partir daí, apenas pequenas alterações foram processadas, de acordo com as mudanças de fornecedores de material esportivo e patrocinadores.


1898

1916

Anos 30

1945
ESCUDO

O primeiro escudo do Vasco foi criado em 1903 e era redondo, sem a faixa diagonal que existe hoje, mas já com a caravela no centro. Em 1920, o escudo foi modificado e ganhou o formato que conhecemos hoje, com a faixa diagonal branca. Na década de 80, uma versão mais moderna do escudo foi lançada, com as formas mais arredondadas.


Primeiro Escudo
1903

Segundo Escudo
Anos 20

Escudo Atual
Anos 80


CRUZ DE MALTA

O primeiro escudo do Vasco, criado em 1903, tinha uma Cruz de Cristo na caravela, à semelhança do que acontecia nas caravelas da época dos descobrimentos. Alguns anos depois, a Cruz de Cristo foi substituída pela Cruz de Malta. Entretanto, mais tarde, descobriu-se que a Cruz de Malta é, na realidade, uma Cruz Patée, também conhecida como Cruz Pátea. A verdadeira Cruz de Malta é bem diferente da Cruz Pátea, pois tem as extremidades bifurcadas.


Cruz de Cristo

Cruz de Malta

Cruz Pátea


MASCOTE

O Vasco tinha como símbolo o Almirante, em homenagem ao navegador português que lhe emprestou o nome. A partir dos anos 40, surgiu a figura do comerciante português de tamancos e camisa do clube. O apelido Bacalhau - criado pelo cartunista Henfil no Jornal dos Sports, nos anos 60, também caiu no gosto da galera.


HINO

O Vasco possui registros de três hinos criados ao longo de sua história. Confira:


HINO DO VASCO (atual)
(Autor: Lamartine Babo - decada de 40)

Vamos todos cantar de coração
A cruz de malta é o teu pendão
Tens o nome do heróico português
Vasco da Gama... tua fama assim se fez

Tua imensa torcida é bem feliz
Norte-Sul, Norte-Sul deste país
Tua estrela, na terra a brilhar
Ilumina o mar

No atletismo és um braço
No remo és imortal
No futebol és um traço
De união Brasil-Portugal


O PRIMEIRO HINO OFICIAL DO VASCO
(Autor: Joaquim Barros Ferreira da Silva - 1918)

Clangoroso apregoa, altaneiro
O clarim estridente da fama
Que dos clubes do Rio de Janeiro
O invencível é o Vasco da Gama
Se vitórias já tem no passado
Glorias mil há de ter no porvir
O seu nome é por nós adorado
Como estrela no céu a fulgir!

Refrão:
Avante então
Que pra vencer
Sem discussão
Basta querer
Lutar, lutar
Os vascaínos
De terra e mar
Os paladinos

É mundial
A sua fama
Vasco da Gama
Não tem rival
Mais uma glória
Vai conquistar
Lutar, lutar
Para a vitória

Sobre os peitos leais, vascaínos
Brilha a Cruz gloriosa de Malta
Corações varonis, leoninos
Que o amor pelo Vasco inda exalta.

Quando o Vasco em qualquer desafio
Lança em campo o seu grito de guerra
Invencível, nervoso arrepio
Faz tremer o rival e a terra!


O SEGUNDO HINO DO VASCO
(Música de Ernani Corrêa e Letra de João de Freitas. Composto em ano desconhecido.)

MEU PAVILHÃO

Vasco da Gama evocas a grandeza
Daqui e d'além mar
Teu pavilhão refulge de beleza
Perene a tremular!

Dos braços rijos de teus filhos,
O mar sagrou-te na história!
Reflete pelos céus em forte brilho
O cetro que ostentas da vitória!

Na cancha és o pioneiro!
És o mais forte entre os mil!
Com a fama que ecoa no estrangeiro
Elevas o esporte do Brasil!

Estádio

Inaugurado em 21 de abril de 1927, o Estádio Vasco da Gama, conhecido como São Januário, pode ser considerado uma pequena cidade desportiva na zona norte do Rio de Janeiro. Construído sobre uma área de 56.000m², São Januário é a sede principal do Vasco da Gama e concentra o campo de futebol, o parque aquático (com uma plataforma de saltos e 4 piscinas), dois ginásios polivalentes (um deles com capacidade para 2.500 torcedores), três quadras cobertas (futsal, basquete e handebol), quatro campos de grama sintética para recreação e treinamento, duas quadras de tênis, instalações para esportes olímpicos, concentração para moradia de 90 atletas, sala com o equipamento mais moderno para o exame de dopping (o Vasco é o único clube brasileiro com estes recursos), etc.

A sede ainda abriga a parte administrativa do clube, com exceção da administração do remo, um restaurante, uma lanchonete, quatro bares, o salão de troféus, com mais de 6 mil peças que documentam as vitórias vascaínas, a capela de Nossa Senhora das Vitórias, o Colégio Vasco da Gama, um mini-hospital, sala de computadores e o Centro de Memória.

Também pertence ao Vasco a área de 4.100m², em frente ao estádio, que contém um espaço para estacionamento e um campo de futebol, utilizado pelas escolinhas e moradores dos arredores. Em parte deste terreno foi construída pelo clube uma escola, doada ao Estado do Rio de Janeiro.

O estádio de futebol, em condições de receber um público de 32 mil pessoas, conta com placar eletrônico, sistema computadorizado de irrigação do gramado, catracas eletrônicas para os dias de jogos, câmara inflável no campo para proteger a entrada e a saída do time adversário, vestiários e maca móvel. Além dos jogos e treinamentos do futebol profissional, o histórico gramado de São Januário é palco para as exibições dos futuros craques do esporte brasileiro, que dão seus primeiros passos no futebol vestindo a sagrada camisa cruzmaltina, desde a categoria Pré-Mirim ao time de Juniores.

Títulos
Estaduais
  • Campeonato Estadual de Juniores: 1944, 54, 69, 71, 81/82, 84, 91/92, 95 e 2001
  • Campeonato Estadual de Aspirantes: 1942/43, 1946/49, 60/61, 64 e 66/67
  • Torneio Início: 1926, 29/32, 42, 44/45, 48 e 58
  • Torneio Relâmpago: 1944 e 46
  • Torneio Municipal: 1944/47
  • Campeão de Terra e Mar: 1924, 1934, 1936, 1945, 1947, 1949, 1950, 1952, 1956, 1958, 1970, 1982, 1998
  • Taça Adolpho Bloch (Torneio Extra de Verão do Rio de Janeiro): 1990
  • Taça Guanabara: 1965, 76/77, 86/87, 90, 92, 94, 98, 2000 e 2003
  • Taça Rio: 1984, 88, 92/93, 98/99, 2001, 2003 e 2004
  • Taça Brigadeiro Gerônimo Bastos: 1988
  • Copa Rio: 1992/93 (Valia uma vaga na Copa do Brasil)
  • Campeonato Estadual da 2ª Divisão (Série B): 1922
  • Campeonato Estadual: 1923/24, 29, 34, 36, 45, 47, 49/50, 52, 56, 58, 70, 77, 82, 87/88, 92/93/94, 98 e 2003
Interestaduais
  • Torneio Cidade de Belém (PA): 1964
  • Torneio Cinqüentenário da Federação Pernambucana (PE): 1965
  • Torneio Erasmo Martins Pedro (RJ): 1973
  • Torneio Imprensa de Santa Catarina (SC): 1977
  • Torneio José Fernandes (AM): 1980
  • Torneio João Havelange (MG): 1981
  • Torneio João Castelo (MA): 1982
  • Torneio de Juiz de Fora (MG): 1986/87
  • Torneio João Havelange (RJ e SP): 1993
  • Torneio Rio-São Paulo: 1958, 66* e 99
Nacionais
  • Taça Belo Horizonte de Juniores: 1991/92
  • Taça São Paulo de Juniores: 1992
  • Campeonato Brasileiro: 1974, 89, 97 e 2000

Competições Internacionais

  • Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões: 1948
  • Copa Libertadores da América: 1998
  • Copa Mercosul: 2000

Site
http://www.crvascodagama.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Santa Cruz Futebol Clube


O Santa Cruz foi fundado em 3 de fevereiro de 1914, por um grupo de 11 meninos do Recife. A idéia donome "Santa Cruz" adveio em razão ao pátio da Igreja de Santa Cruz, onde, este grupo de jovens, com idades entre 14 e 16 anos, costumava jogar futebol, afinal, naquela época não existiam campos.

Os fundadores do clube reuniram-se na rua da Mangueira n° 2, distrito da Boa Vista, por volta das 19 horas. Estiveram presente os senhores Quintino Miranda Paes Barreto, José Luiz Vieira, José Glacério Bonfim, Abelardo Costa, Augusto Flankin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho, Oswaldo dos Santos Ramos, Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa Dornelas Câmara. O Santa Cruz tem o quarto maior estadio particular do mundo e é o clube mais popular de Pernambuco,com cerca de 4 milhões de torcedores.

A primeira diretoria do Santa Cruz ficou assim estabelecida:

Presidente: José Luis Vieira
Vice-presidente: Quintino Miranda Paes Barreto
Primeiro secretário: Luiz de Gonzaga Barbalho
Diretor de Esportes: Orlando Elias dos Santos

Na reunião, definiu-se o nome da nova agremiação como sendo "Santa Cruz Foot-Ball Club". As cores escolhidas foram o branco e preto. Posteriormente, porém, devido a igualdade de cores com o Flamengo local, o Santa adotou o vermelho, tornando-se tricolor.

Primeiros jogos

O primeiro adversário do Santa Cruz foi o Rio Negro, na campina do Derby, onde foi atraído um bom público para ver jogar o "time dos meninos". O time, apesar de acostumado a jogar somente nas ruas, não estranhou o campo e conseguiu uma facil vitória pelo placar de 7 a 0. A equipe era formada por: Waldemar Monteiro; Abelardo Costa e Humberto Barreto; Raimundo Diniz, Osvaldo Ramos e José Bonfim; Quintino Miranda, Sílvio Machado, José Vieira, Augusto Ramos e Osvaldo Ferreira.

O Rio Negro, não conformado com a goleada sofrida, pediu revanche, chamando o jogo para o seu campo, localizado na Rua São Borja, impondo ainda uma condição: o centroavante Sílvio Machado, do Santa Cruz, não poderia atuar, porque tinha sido o melhor jogador em campo na primeira partida, tendo marcado 5 dos 7 gols do Santa Cruz. O time tricolor aceitou a condição e escalou Carlindo para substituir o seu artilheiro. Ao final do jogo, o placar apontava 9 a 0 para o Santa Cruz, tendo Carlindo assinalado seis gols.

Treinando sempre com a bola que José Luis Vieira ajudou a comprar por 8.500 réis, o Santa viria depois a conquistar mais uma sensacional vitória sobre um time famoso da cidade, na época: o Western Telegraph Company, composto exclusivamente por elementos ingleses que trabalhavam no Recife.

Como não podia ser diferente, o Santa Cruz passou por momentos de crises e, em um desses momentos, mais precisamente em 1914, foi proposto por um dos fundadores em uma reunião, o gasto dos únicos seis mil réis existentes em caixa na compra de uma máquina elétrica de fazer caldo de cana (o que era sucesso na época, na Rua da Aurora). Foi quando Alexandre de Carvalho deu um murro em cima da mesa, evitando com esse gesto de revolta o fechamento do clube.

Como foi fundado por representantes da classe média, o Santa Cruz sempre foi um clube popular, aceitando inclusive negros no time (o primeiro foi Teófilo Batista de Carvalho, conhecido popularmente por Lacraia), coisa rara nesta época. Era mais um passo para a popularização do clube, numa época em que o futebol ainda era um esporte fechado, praticado por rapazes da elite ou por funcionários das várias companhias inglesas que funcionavam na cidade do Recife.

Logo, os torcedores pernambucanos tomaram conhecimento das façanhas de Pitota e Tiano (o médico Martiniano Fernandes), que em dado momento tornou-se para os recifenses, mais importante do que Santos Dumont, o pai da aviação. No dia 30 de janeiro de 1919, Dumont transitava pela capital pernambucana, mas a cidade só comentava sobre a vitória tricolor sobre o Botafogo – a primeira de um time do Nordeste sobre uma equipe do Rio – por 3 a 2. Tiano marcou dois gols e o "Jornal Pequeno", da segunda-feira, 31, dizia: "O Botafogo Futebol Clube é derrotado pelos "meninos" cá de casa pelo escore de 3 x 2".

Primeiras conquistas

O clube entrou na Liga em 1917 e chegou às finais, mas perdeu para o Flamengo recifense. Em 1931, mais precisamente a 13 de dezembro, o Santa fazia seu pavilhão espraiar-se por todo Pernambuco, quando, depois de uma bela campanha, derrotava o Torre por 2 a 0, gols de Valfrido e Estevão e sagrava-se campeão estadual pela primeira vez. Entre os campeões, duas figuras lendárias no futebol pernambucano: o centroavante Tará e Sherlock. Os heróis do primeiro título do Santa foram: Dada, Sherlock e Fernando; Doía, Julinho e Zezé; Walfrido, Aluízio, Neves, Tara, Lauro e Estevão, João Martins e Popó. Este time conseguiu também o título de 1935.

Vitória sobre a Seleção Brasileira de 1934

Em outubro de 1934, a Seleção Brasileira, procedente da Copa da Itália, desembarcou no Recife para uma série de amistosos, e os resultados obtidos foram: Brasil 4 a 2 Sport, Brasil 3 a 2 Santa Cruz, Brasil 8 a 3 Náutico.

Entretanto, um atraso do navio da Seleção fez com que o Tricolor pedisse uma revanche, e, desta vez, com vitória: Santa Cruz 2 a 1 Brasil. Com esta vitória, o Santa Cruz tornou-se um dos poucos clubes do mundo a conseguir derrotar a Seleção Brasileira.

Em 1943, o dirigente Aristófanes de Andrade conseguiu alugar um terreno próximo às ruas Beberibe e das Moças, onde muitos anos depois, seria instalado o Estádio José do Rego Maciel, o Arruda. Na década de 1940, a equipe levantou três títulos (1940, 1946 e 1947), antes de passar dez anos em jejum.

Excursão suicida ao Norte brasileiro

Em 1943, sem ter como pagar salários aos seus jogadores, o Santa resolveu excursionar ao Norte do Brasil, embarcando na madrugada do dia 2 de janeiro. A delegação viajou à noite, pois era época da Segunda Guerra Mundial e havia a presença constante de submarinos alemães no litoral brasileiro. O vapor "Pará", navio que levava o time do Santa, era escoltado por dois navios da Marinha de Guerra. Ainda assim, teve que navegar com as luzes apagadas e os jogadores dormiam no convés.

A primeira parada foi ainda no Nordeste do País, em Natal. No Estádio Juvenal Lamartine, o Santa Cruz enfrentou a Seleção Potiguar, goleando por 6 a 0. No dia 10 de janeiro, o Santa desembarcou em Belém e o primeiro adversário do clube no Norte do País foi o Transviário, que acabou sendo goleado por 7 a 2. Em seguida, o Santa venceu a Tuna Luso por 4 a 2, empatou com a Seleção Paraense em 2 a 2, e com o Paysandu em 4 a 4. Na despedida da capital paraense, perdeu para o Remo pelo placar de 5 a 3.

A viagem prosseguiu em direção à Manaus, em um vapor-gaiola que subia o Rio Amazonas rebocando uma alvarenga carregadas de alimentos para o Acre. Duas semanas depois, os jogadores, cansados da longa viagem, chegavam em Manaus. Já em terra firme, perderam a primeira partida para o Olímpico por 3 a 2. No jogo seguinte, golearam o Nacional por 6 a 1. Após a partide, o chefe da delegação, Aristófanes de Andrade (o Tofinha), e os atletas King, França, Pinhegas, Guaberinha, Edésio e Papeira, foram atacados por uma forte disenteria. Todos foram medicados e liberados, porém com recomendações alimentares. No último jogo em Manaus, o Santa Cruz venceu o Rio Negro por 3 a 1.

Durante a descida pelo Rio Amazonas, o goleiro King e o atacante Papeira apresentaram forte recaída devido à disenteria, a qual é diagnosticada pelo médico a bordo do vapor como sendo febre tifóide. O Santa Cruz desembarcou novamente em Belém no dia 28 de fevereiro e enfrentou o Remo no dia 2 de março, vencendo por 4 a 2. Dois dias depois, King faleceu, vitimado pela febre tifóide. O goleiro do Santa foi enterrado no cemitério de Belém. Três dias depois, a doença mataria Papeira.

Desesperados, os componentes da delegação trataram de retornar à Recife o mais rápido possível. Somente no dia 28 de março é que conseguiram transporte, porém com parada de quatro dias em São Luís, no Maranhão. Os jogadores trocaram as passagens de primeira classe por terceira classe, recebendo a diferença em dinheiro. Por isso, tiveram que viajar na companhia de 35 ladrões, que a polícia do Pará deportava para o Maranhão.

Em São Luís, novos jogos foram disputados e a renda foi distribuída entre os jogadores. O cozinheiro do navio teve que jogar no time do Santa Cruz, devido ao déficit no número de jogadores. A delegação embarcou em um navio com destino à Fortaleza. Porém, como o radar acusava a presença de submarinos alemães na área, o comandante resolveu retornar a São Luís.

Então, cansados desses três meses de privações e angústia, os jogadores decidiram retornar a Recife por terra: completaram a viagem de volta em trem até Teresina e em ônibus até Fortaleza. O Santa Cruz ainda realizou jogos no Piauí, completando um total de 28 partidas na excursão. A delegação chegou a Recife na madrugada do dia 2 de maio.

Festa da poeira

No dia 16 de março de 1958, em uma tarde ensolarada de domingo, o Santa entrava em campo para pôr fim no incômodo jejum de 10 anos sem a conquista estadual. O título valia pelo Campeonato Pernambucano de 1957 e seria decidido contra o Sport. O Santa Cruz entrou em campo com a seguinte escalação: Aníbal; Diogo e Sidney; Zequinha, Aldemar e Edinho; Lanzoninho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho. O técnico era Alfredo González. O Sport estava formado por: Manga; Bria e Osmar; Zé Maria, Mirim e Pinheirense; Roque, Traçaia, Liminha, Carlos Alberto e Geo.

A decisão foi disputada em solo inimigo, na Ilha do Retiro, pois o Sport venceu no sorteio. Caso tivesse sido vencedor, o Santa mandaria a partida nos Aflitos, estádio do Náutico, pois o Tricolor ainda não possuía estádio próprio na época.

A arbitragem da partida foi composta pelo uruguaio Estéban Marino, que foi auxiliado pelos bandeirinhas Amílcar Ferreira (carioca) e José Peixoto nova. Para o confronto, um público de 29.051 torcedores (para uma renda de 1.062.162 cruzeiros) animavam o espetáculo. No centro do gramado, o árbitro conversava com os capitães Aldemar e Mirim.

Naquele ano, o Santa Cruz já havia conquistado os títulos de juvenis e aspirantes. Faltava o de profissionais, almejado durante uma longa década. E ele começou a surgir logo ao 4 minutos de jogo, com um gol de cabeça de Rudimar, após cobrança de escanteio de Faustino. A festa da torcida do Santa aumentou quando, aos 18 minutos, Lanonzinho penetra na área adversária e é abruptamente impedido por Osmar. Pênalti, que Aldemar converte. Banderinhas se agitavam na torcida do Santa, enquanto a torcida do Sport passou a vaiar seu técnico, o argentino Dante Bianchi.

Só dava Santa. Logo aos dois minutos do segundo tempo, outro gol tricolor: o então jovem goleiro Manga solta a bola nos pés de Mituca, que apenas tem o trabalho de empurrá-la para as redes. O Sport descontou aos 22 minutos, com Carlos Alberto. A reação rubro-negra continuou com o segundo gol, marcado por Zé Maria com um chute de fora da área. Porem paraou por aí. O placar de 3 a 2 deu o título ao Santa Cruz, que pôde, enfim, comemorar um título de campeão pernambucano após uma década de espera.

Terror do Nordeste

Nos anos que seguiram, por volta da década de 70, o Santa Cruz adotou uma forma de administrar bastante democrática, sob a forma de colegiado. Durante esses anos, o Santa Cruz foi o time pernambucano a conquistar o maior número de títulos estaduais, e vencendo o Torneio Norte-Nordeste de 1967 (inclusive goleando o Remo do Pará por impiedosos 9x0) e constituindo-se numa das maiores expressões do futebol nordestino da época.

Mais uma vez, o clube passaria nove anos esperando antes de comemorar. Em 1969 os tricolores quebram o jejum e dão início ao pentacampeonato, maior série do clube até hoje.

Na década de 1970 a torcida tricolor teve mais um motivo para comemorar: a inauguração do Arruda. O estádio, cujo terreno havia sido posto a venda em 1952 pelo proprietário do terreno, recebeu o nome de José do Rego Maciel, por ter sido este o prefeito na época em que o Santa recebeu da prefeitura a posse definitiva do terreno, em 1954. Somente em 1965, com a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais é que o Tricolor começou a construir seu estádio.

A partida inaugural do Arruda ocorreu no dia 4 de julho de 1972. O jogo comemorativo foi contra o Flamengo do Rio de Janeiro, e o Santa entrou em campo com a seguinte escalação: Detinho; Ferreira, Sapatão, Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca (Beto), Fernando Santana (Zito), Ramón e Betinho. O Flamengo esteve formado por: Renato; Moreira, Chiquinho, Tinho e Wanderlei; Zanata e Zé Mário (Liminha); Vicente (Dionísio), Caio (Ademir), Doval (Fio) e Arilson. A partida terminou com um empate sem gols. A renda foi de CR$ 193.834,00, com um público total de 47.688 pagantes.

Em 1975, os tricolores fazem uma campanha brilhante no Campeonato Brasileiro e chegam às semifinais, após vencer o Palmeiras (à época conhecido como "Academia") por 3x2 dentro do Parque Antárctica nas oitavas-de-final, e o Flamengo em pleno Maracanã, de virada, por 3x1, nas quartas-de-final, vindo a perder a vaga para o Cruzeiro, em jogo marcado por uma controvertida arbitragem de Armando Marques, que, entre outras, deixou de assinalar um pênalti claro em favor do time Tricolor e validou um gol irregular dos mineiros, dando a estes a classificação para a final da competição.

Caso tivesse obtido a vaga para a final, o Santa Cruz decidiria o Campeonato Brasileiro no Recife, já que havia realizado a melhor campanha entre os finalistas, ratificando a sua condição de um dos grandes times do Brasil na época, assim como o Internacional, o Fluminense e o Cruzeiro, que disputaram as primeiras colocações neste ano.

No ano seguinte (1976), aparece no time o centroavante Nunes e o Santa levanta o Campeonato Pernambucano (Bi super-campeão). No Campeonato Brasileiro o Santa Cruz chega em décimo-primeiro lugar, entre 54 concorrentes. No ano de 1977 seria o décimo e em 1978, o quinto, o que mostra a força do Santa Cruz nos campeonatos brasileiros destes anos. O Santa Cruz sagra-se bicampeão pernambucano em 1978/1979, colecionando 7 títulos estaduais entre 1970 e 1979.

Em 1980, o Santa conquistou o título de Fita Azul do Brasil, que foi dado pela CBF ao Santa Cruz por ter feito uma excursão no exterior sem perder nenhuma partida. A excursão aconteceu durante o mês de março e o time tricolor enfrentou adversários do Oriente Médio (Seleções de diversos países como Kuait, Catar, Arábia) e da Europa (Paris Saint-Germain e Seleção da Romênia).

Sucessos entre a década de 80 e meados da de 2000

Estádio do Arruda

Nos anos 80 os tricolores foram campeões da década, levantando o Campeonato Pernambucano por quatro vezes, em 1983 (Tri Supercampeonato), em 1986, em 1987 e em 1990, último ano desta década. No dia 1 de abril de 1982, o estádio do Arruda teve sua ampliação finalizada e ficou Com capacidade para 80.000 pessoas o Arruda viu seu maior público no seu torneio de inauguração, 76.636 pagantes. Posteriormente, em função dos novos parâmetros de conforto e segurança estabelecidos pela FIFA, o Arruda viu a sua capacidade diminuida para cerca de 60.000 pessoas.

Na Década de 1990 o tricolor conquistou dois títulos estaduais, em 1993 e 1995, ambos diante do Náutico. Já em 1999 a torcida coral pode comemorar o retorno, após onze anos, a primeira divisão, quando, o Santa foi vice-campeão brasileiro da segunda divisão.

Em 2003 o Santa Cruz fez uma excursão pela Ásia onde participou do Torneio Vinausteel no Vietnã e sagrou-se campeão invícto. O time tricolor jogou cinco partidas, empatou uma e ganhou as outras quatro. Teve o melhor ataque, a melhor defesa, o maior saldo de gol, o artilheiro da competição e o melhor jogador.

Já em 2005, o time Coral liderou a Série B desde o início do certame, classificando-se para a 2ª fase e novamente ficando em primeiro lugar. Na última fase, o time sagrou-se vice-campeão da competição, obtendo acesso de volta à Série A do futebol brasileiro.

O ano de 2006 assistiu ao nascimento da Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz (ATASC), criada com o objetivo de apoiar o clube financeiramente e investir na área patrimonial, a fim de colaborar com a construção de um Santa Cruz cada vez maior.

O "fundo do poço" tricolor

Após perder a emocionante final do Campeonato Pernambucano de 2006 para o Sport, o Santa começou a experimentar uma crise que parece não ter volta. Após uma desastrosa campanha no Campeonato Brasileiro 2006, sendo último colocado na maioria das rodadas, terminou rebaixado para a Série B.

Cansado da gestão considerada como medíocre para o time, os tricolores votaram em massa no então vice-presidente licenciado do clube, Edson Nogueira, garantindo a primeira vitória de uma chapa de oposição na história do clube. Entretanto, a situação só piorou. Em 2007 as coisas pioraram mais ainda. O time foi mal no Campeonato Pernambucano de 2007 (6ª colocação) e foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil para o Ulbra-RO, perdendo inclusive no Arruda. Na Série B de 2007, o clube realizou uma campanha também fraca que o tragou para o segundo rebaixamento seguido, dessa vez para a Terceira Divisão do Brasileiro de 2008, descenso que foi sacramentado com uma derrota de 2 a 0 para o Criciúma, em Santa Catarina.

Em 2008, o clube ainda tentou se reorganizar para voltar a brilhar, mas ainda não alcançou um bom planejamento. Novamente foi vítima de vários reveses, como a eliminação da Copa do Brasil de novo na primeira fase, a disputa do Hexagonal da Morte do Campeonato Pernambucano, que teve que disputar para se livrar do rebaixamento estadual e a perda de seus melhores jogadores, como Carlinhos Paraíba e Thiago Capixaba. Teve uma campanha abaixo da média na Série C, classificando-se quase que por sorte para a segunda fase. Em 24 de agosto, empatou para o Campinense quando deveria ter vencido e amargou estar "pendurado no precipício", precisando de uma combinação difícil de resultados para escapar do terceiro rebaixamento nacional consecutivo. Porém as chances extremamente remotas de não-rebaixamento foram definitivamente enterradas com a vitória de 5x1 do Caxias/RS sobre o Brasil, de Pelotas/RS, que preencheu a última vaga dos times desclassificados da segunda fase da Série C e matematicamente rebaixou o Tricolor, que em 2009 poderá disputar a Série D do Campeonato Brasileiro, divisão nacional que terá 40 clubes e que foi confirmada pela CBF em seu calendário, caso consiga um bom desempenho no Campeonato Pernambucano 2009.

Algumas semanas depois do último jogo do time na Série C, um consenso entre as maiores autoridades do clube levou à nomeação de Fernando Bezerra Coelho como candidato único à presidência do biênio 2009-2010. Nos dias subsequentes à sua eleição, várias empresas manifestaram disposição de patrocinar a reestruturação do Santa Cruz. Inclusive um ônibus de luxo foi adquirido e foi iniciada uma reforma no estádio do Arruda, visando dias melhores para o Tricolor.

Títulos

Campeonato Pernambucano 24 vezes (1931, 1932, 1933, 1935, 1940, 1946, 1947, 1957, 1959, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1976, 1978, 1979, 1983, 1986, 1987, 1990, 1993, 1995 e 2005).

Estádio

O Estádio José do Rego Maciel (conhecido popularmente como Estádio do Arruda ou ainda Colosso do Arruda) é um estádio de futebol localizado em Recife, estado de Pernambuco, Brasil. Pertencente ao Santa Cruz Futebol Clube e tem atualmente capacidade para 66.044 espectadores (é o quarto maior estádio do Brasil e também quarto maior estádio particular do mundo). O recorde de público ficou estabelecido com o Jogo do campeonato pernambucano de 1999 quando o Santa Cruz enfretou o Sport e empatou em 1x1 com gol de Eleomar para o time coral. Neste jogo estavam presentes nada menos que 105.567 espectadores.

Hino

O hino oficial do Santa Cruz Futebol Clube foi composto pelos irmãos Valença no ano de 1952.

Nos anais, nos calendários
Fiquem sempre por lembrança
Teus lauréis extraordinários
De bravur
a e de pujança
Nos esportes tua história
É orgulho a que faz jus
Este símbolo de glória
Que é teu nome Santa Cruz

Uma voz proclama e canta
É a voz das multidões
Santa Cruz, querido Santa!
Campeão dos campeões

Esta multidão tamanha
Gente pobre que te aclama
Lembra o ouro que se apanha
Nos cascalhos e na lama
Esse ouro é sangue, é vida
É delírio, r
aça, e amor
A bandeira tão querida
A bandeira tricolor

Mascote

O mascote do Santa Cruz Futebol Clube é a Cobra Coral.

A escolha foi feita devido a semelhança das cores do clube com as cores das listras do animal.



Site

http://www.coralnet.com.br

Atlético Clube Paranavaí

O Atlético Clube Paranavaí, foi fundado em 14 de Março de 1946. É hoje uma das maiores paixões da cidade e região. Com mais de 50 anos participando das principais competições esportivas, tendo sido CAMPEÃO PARANAENSE DE FUTEBOL 2007, empolga o torcedor, levando aos estádios grandes públicos.

Desfruta de um dos principais patrimônios no interior do Estado: Estádio Waldemiro Wagner - O Felipão, de propriedade do município de Paranavaí - Paraná e com capacidade para 25 mil pessoas.
A arquitetura do estádio é uma réplica do Coliseum, de Los Angeles, e foi inaugurado pela Seleção Brasileira, em 1992, quando o Brasil derrotou a Costa Rica por 4x2.

Em 2003, o time fez jus à grandeza do estádio. Com um time que teve como base jogadores rodados no interior paranaense, como o meia Júlio e os atacantes Neizinho e Aléssio, o ACP foi o vice-campeão paranaense, perdendo apenas um jogo durante toda a campanha: o último, por 2 x 0, para o Coritiba, no Couto Pereira.
No dia seguinte à derrota na capital, Paranavaí recebeu o Vermelhinho como se a equipe tivesse erguido o troféu, como reconhecimento pela heróica campanha.

Em 2007 sua grande conquista: CAMPEÃO PARANANENSE DE FUTEBOL 2007. Conquistou o primeiro título estadual da primeira divisão, sem perder uma única partida no campeonato jogando contra os times da capital. Jogando contra os times da capital em 2007, o Vermelhinho (como é chamado carinhosamente pelos torcedores) tornou-se o primeiro time do interior a derrotar o “trio-de-ferro” composto por Atlético, Coritiba e Paraná, cinco vezes em uma só temporada, esta façanha inédita, não é superada por nenhum outro time do interior. Após empatar sem gols com o Paraná Clube, na Vila Capanema. Esse título foi o primeiro de uma equipe do interior do estado sobre uma equipe da capital desde que o extinto Grêmio Maringá sagrou-se campeão, em 1977, sobre o Coritiba.
O jogo final foi também o que teve o maior público do Campeonato. Neste jogo, o Paranavaí deu a volta olímpica, na Vila Capanema, diante de 23.775 pagantes

Números da campanha do campeão paranaense de 2007:
Jogos: 25
Vitórias: 10
Empates: 11
Derrotas: 4
Gols-pró: 42
Gols contra: 33
Campanha contra os times da capital:
1.ª fase
2 x 1 - Atlético Paranaense(casa)
3 x 2 - Paraná Clube (c)
2 x 2 - Coritiba (c)
2.ª fase
1 x 0 - Atlético Paranaense (c)
1 x 1 - Atlético Paranaense (fora)
Semifinal
3 x 2 - Coritiba (c)
1 x 1 - Coritiba (f)
Final
1 x 0 - Paraná Clube (c)
0 x 0 - Paraná Clube (f)
Retrospecto: 14 gols pró; 9 gols contra

Ao todo foram 9 jogos, sendo 5 vitórias e 4 empates estabelecendo varios recordes:
o vermelhinho tornou-se o primeiro do interior a derrotar o "trio-de-ferro" composto por Atlético, Coritiba e Paraná cinco vezes numa só temporada, e ainda nao perder nenhum jogo sequer, esta façanha inédita, não é superada por nenhum outro time do interior.

Estádio Waldemiro Wagner na Final 1º Jogo em Paranavaí – Público 23.677
ACP 01 x PARANÁ CLUBE 0

Vila Capanema – Curitiba – Paraná – Jogo da Final 2º jogo – Público 22.170
PARANÁ CLUBE 0 x ACP 0

Títulos

Campeonato Paranaense: 2007.
Vice-Campeonato Paranaense: 2003.
Campeonato Paranaense - Série Prata: 3 vezes (1967, 1983 e 1992).
Estádio

Estádio: Waldemiro Wagner (Felipão)
Endereço: Avenida Tancredo Neves, s/nº, Paranavaí-PR. CEP: 87.702-180.
Propriedade*: Prefeitura de Paranavaí
Inauguração: 23 de setembro de 1992
Capacidade: 25.000 mil lugares
Recorde: 24.825 (Paranavaí 1x0 Parana), 1º Jogo da Final em 29 de abril de 2007.

O Paranavaí pode não ter muitas conquistas na história, mas desfruta de um dos principais patrimônios no interior do Estado: o estádio Waldomiro Vagner - o Felipão, em homenagem ao antigo prefeito Rubens Felipe -, de propriedade do município e com capacidade para 25 mil pessoas. A arquitetura do estádio é uma réplica do Coliseum, de Los Angeles, e foi inaugurado pela Seleção Brasileira, em 1992, quando o Brasil derrotou a Costa Rica por 4x2.

Até hoje a Prefeitura de Paranavaí espera a oportunidade de entregar uma placa comemorativa ao ex-jogador Raí, por ele ter sido o autor do primeiro gol marcado no Felipão? Foi no amistoso em que a seleção do Brasil derrotou a da Costa Rica por 4 x 2, no dia 23 de setembro de 1992. O presente segue guardado na sede do governo municipal e é um troféu.

Hino

Rever sua camisa vermelha
é renovar a emoção
que vem do seu passado de conquistas
de sangue, suor e coração

E mostrar que dentro do meu peito
bate forte uma paixão
que vai pulsando vermelho, vermelho
ACP meu campeão.

Oh vermelhinho, vim só pra te ver
Oh vermelhinho gosto de você
por onde vais tu és porta bandeira
da nossa Paranavaí.

Sangue, sangue, pra vencer... vencer
sempre, sempre, vermelhinho eu hei de ser
A sua glória
irá resplandecer
sempre ...sempre, viva o nosso ACP.

Oh vermelhinho, vim só pra te ver
Oh vermelhinho gosto de você
por onde vais tu és porta bandeira
da nossa Paranavaí.

Sangue, sangue, pra vencer... vencer
sempre, sempre, vermelhinho eu hei de ser
A sua glória irá resplandecer
sempre ...sempre, viva o nosso ACP.

Mascote

Cayuazinho, mascote oficial do Atlético Clube Paranavaí , o nosso A.C.P., pode ser considerado um personagem genuinamente original de Paranavaí.

Idealizado em outubro de 2001 pelo cartunista e professor Paulo Bittencourt, morador desta cidade a mais de 30 anos, Cayuazinho exalta as duas maiores fontes de renda para a região provindas da agricultura, tanto no passado quanto no presente : o mascote é uma laranja que usa uma folha de café como pena. O solo predominante da região, o Arenito Cayua, é o responsavel pelo nome do personagem. Com a pintura vermelha no rosto e a bola sempre no pé, Cayuazinho demonstra o amor incomensurável que ele tem pelo esporte e pelo nosso querido Vermelhinho do Fim da Linha.

E Cayuazinho já provou que é "pe quente": no ano seguinte em que ele foi criado o A.C.P. subiu novamente para a primeira divisão do futebol paranaense.

Site

http://www.acpclube.com.br/